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Thiago Uberreich

Vitória da seleção contra a URSS em 1958 é uma das mais emblemáticas da história

O mundo, espantando, passou a conhecer as estrelas de Pelé e de Garrincha

Thiago Uberreich

Garrincha parte com a bola dominada para cima da defesa soviética em jogo da Copa do Mundo de 1958, na Suécia
garrinchaxurrs2 Reprodução/Youtube/ Esporte Press Brasil

Depois de uma vitória contra a Áustria por 3 a 0, na estreia, e um empate sem gols diante da Inglaterra, a seleção brasileira precisava derrotar a poderosa União Soviética para garantir uma vaga na fase de mata-mata da Copa de 1958, na Suécia. Quem esteve nas arquibancadas do Estádio Nya Ullevi, em Gotemburgo, jamais se esqueceu do que viu naquele domingo, 15 de junho de 1958. O público europeu aplaudia, dava risada e se espantava com um certo jogador que abusava dos dribles e deixava os marcadores literalmente caídos na ponta direita: era Garrincha.

Já no meio de campo, partindo sempre em direção ao ataque, um garoto magro, ligeiro e muito habilidoso também chamava atenção: quem era ele? Quantos anos tinha? Parecia menor de idade. E era: faria 18 anos dentro de quatro meses e oito dias. O jovem Edson Arantes do Nascimento estreava na Copa, assim como Garrincha. 

A equipe adversária da seleção brasileira era cercada de mistério e de simbologia política, a ponto de o presidente da República, Juscelino Kubitschek, pedir à seleção uma atenção especial ao enfrentar a União Soviética. O mundo vivia a Guerra Fria e o Ocidente temia os comunistas. As informações sobre os países do Leste Europeu, por trás da “Cortina de Ferro”, eram raras e desencontradas. Dentro de campo, a imprensa falava do “futebol científico” da URSS e que a seleção soviética era formada por “super-homens”. 

A vitória seria fundamental para o futuro do Brasil na Copa. Uma eventual derrota não eliminaria automaticamente a seleção, mas a equipe poderia depender de outros resultados. Áustria e Inglaterra se enfrentariam no mesmo horário. Além de ganhar, era preciso dar espetáculo e espantar de vez os fantasmas do passado.

Os minutos iniciais foram sublimes! O tal “futebol científico” dos adversários se esfacelou aos pés de Garrincha, com uma atuação assombrosa. Além dos dribles desconcertantes, o jogador chutou uma bola na trave de Yashin, logo no início do duelo. A torcida, espantada, aplaudia e dava risada. Em outro lance, Pelé mandou a bola no travessão: um espanto! Aos três minutos, Didi estava bem marcado na intermediária da União Soviética, mas esperou pelo melhor posicionamento de Vavá que recebeu a bola, invadiu a área e tocou com o pé direito na saída do goleiro: 1 a 0. 

Na etapa final, Pelé e Vavá fizeram uma tabelinha de cabeça, mas Yashin impediu a sequência da jogada. Aos 32 minutos, os dois jogadores trocaram passes, já dentro da área adversária, a bola sobrou para Vavá que disputou com um zagueiro e conseguiu empurrar a bola para as redes: 2 a 0. O lance, de muita raça, custou ao centroavante um corte na canela que o deixaria de fora do jogo seguinte, contra o País de Gales. 

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Foi uma vitória maiúscula do futebol brasileiro que garantiu a classificação em primeiro lugar no grupo, com cinco gols marcados e nenhum sofrido. Participação mais que convincente na primeira fase da Copa. O treinador da seleção foi elogiado pela imprensa, que reconheceu os méritos de seu trabalho. O jornal O Globo dizia: “Foi feliz Vicente Feola com as modificações introduzidas no nosso ataque. O meia santista [Pelé], no princípio, parecia pouco confiante nas suas condições físicas, afastado, que se encontrava, há mais de 20 dias. O popular ‘Seu Mané’ foi um espetáculo à parte, fazendo convergir para seu lado as simpatias e admiração da torcida que lotou as dependências do grandioso estádio de Nya Ullevi”. 

BRASIL 2 × 0 UNIÃO SOVIÉTICA – Gotemburgo – 15.06.58

Brasil: Gylmar, De Sordi, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito, Didi, Garrincha, Pelé, Vavá e Zagallo
Técnico: Vicente Feola
URSS: Yashin, Kessarev, Kriglevski, Kuznetsov, Voinov, Igor Netto, Valentin Ivanov, Simonian, Ilin, Tsarev e Alexander Ivanov
Técnico: Gavriil Kachalin
Árbitro: Maurice Guigue (França)
Gols: Vavá aos 3 do primeiro tempo e aos 32 da etapa final
Público: 50.928

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