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Victoria Abel

Governo sinaliza a líderes tentativa de recompor base a partir de ‘racha no Centrão’ e convencimento ‘individual’

Esforço do Planalto seria de convencimento deputado a deputado, sem depender de comando das legendas

Victoria Abel

Lula cancela agendas com ministros e comparece ao velório do jornalista Mino Carta
Lula cancela agendas com ministros e comparece ao velório do jornalista Mino Carta HUMBERTO BISPO/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Diante da fragilidade da base governista no Congresso, exposta no derrota da medida provisória que previa a taxação de aplicações financeiras, o Palácio do Planalto tem traçado estratégia de recomposição de alianças com parlamentares, mas por meio do convencimento individual, deputado a deputado. A aposta para “reorganização da base”, a partir de agora, será “rachar os partidos” de centro e atrair a fidelidade de deputados que ainda tenham simpatia pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Aliados de Lula já não acreditam mais que novas indicações a ministérios, ou reuniões com presidentes das legendas façam a diferença. Para auxiliares do chefe do Executivo e líderes governistas, a solução será abrir a lista de deputados dos partidos de centro e identificar quem tem um perfil mais aberto a negociação e que poderia fechar uma aliança com o governo.

A interpretação de líderes próximos ao Planalto é que qualquer esforço por um projeto de lei que proponha um novo aumento de impostos, recompondo parte da MP derrotada, será em vão se o Planalto não conseguir reorganizar a base. Para eles, antes de avançar com qualquer projeto de lei proposto, é preciso ganhar musculatura no Congresso. Sem a MP, o governo pode ter um prejuízo de aproximadamente R$ 30 bilhões no ano que vem.

O líder do PT, Lindbergh Farias, protocolou, nesta quinta-feira (9), um projeto de aumento da taxação das bets dos atuais 12% para 24%. Líderes de centro avaliam que o texto apenas com sites de apostas pode ser de mais fácil convencimento, em comparação a um aumento geral de impostos para aplicações, que atinge uma parcela de super ricos. No entanto, a negociação ainda seria paralisada se o governo não moderar o tom e caminhar para o diálogo.

Além da necessidade de organizar a base antes de colocar uma proposta em plenário novamente, a Fazenda precisa encontrar formas de tapar o buraco fiscal antes da votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026. O projeto estabelece a meta fiscal de superávit em 0,25% do PIB no próximo ano. Caso o governo não consiga atingir as receitas necessárias, a meta teria de ser revista.

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A equipe econômica estuda formas de cortar despesas no orçamento do ano que vem. Entre elas, os gastos com emendas parlamentares. Governistas também levantam a possibilidade de publicar decretos que possam aumentar impostos regulatórios, que não dependem da aprovação do Congresso, como IOF e o imposto sobre importação.

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