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Macroeconomia

Disparada do Ibovespa, pode ser bolha?

Investidor global investe no Brasil como uma estratégia de diversificação global a fim de reduzir os riscos relacionados à guerra tarifária

Sarah Américo

Vista de painel da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), na região central da capital paulista
Ibovespa fecha dia em queda de 0,28%, abaixo dos 130 mil, e recua 1,37% na semana CRIS FAGA/DRAGONFLY PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Apesar de todo o risco fiscal envolvendo o Brasil, a bolsa sobe fortemente. A guinada no preço das ações é resultado da forte demanda de estrangeiros pelos papéis brasileiros. O investidor global investe no Brasil como uma estratégia de diversificação, a fim de reduzir os riscos relacionados à guerra tarifária, à sobrevalorização das empresas de IA, às tensões geopolíticas e às incertezas da política monetária americana. Além disso, como o real ainda está desvalorizado em relação ao dólar, para o estrangeiro, “o Brasil está barato”.

Todos esses fatores explicam a forte entrada de fluxo estrangeiro no país, o que reduz a cotação do dólar e impulsiona a bolsa. Por outro lado, a guinada do Ibovespa tem despertado o receio de o mercado financeiro brasileiro estar próximo de uma bolha.

O BofA (Bank of America) foi o primeiro a alertar para esse risco. De acordo com o banco, há o risco de uma sobrevalorização dos papéis brasileiros, impulsionada pelo dólar mais fraco, pela alta das commodities metálicas e pela perspectiva de quedas de juros menores no país.

A dúvida levantada pelo BofA é pertinente, principalmente ao considerarmos o risco fiscal. Se o próximo governo realizar um ajuste das contas públicas, a bolsa tem tudo para subir ainda mais. Entretanto, se o próximo governo não cortar gastos, poderá haver o estouro da bolha. Em algum momento, as perspectivas eleitorais vão afetar os mercados. É apenas uma questão de tempo.

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