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Macroeconomia

Lula revê Dilma em evento do Brics, critica austeridade e volta a defender moeda alternativa ao dólar

Pauta da desdolarização no comércio internacional tem apoio de países como Rússia e China, mas enfrenta resistência de integrantes do bloco como Índia e Emirados Árabes Unidos

ia samy

Lula e Dilma Rousseff
54632783220_4855cc663f_k Ricardo Stuckert/PR

Durante a 10ª Conferência Anual do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), realizada nesta sexta-feira (4) no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez duras críticas às políticas de austeridade fiscal e voltou a defender a criação de uma moeda alternativa ao dólar para transações comerciais internacionais. O evento integrou a programação da cúpula do Brics — grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — e contou com a presença da presidente do banco, Dilma Rousseff.

“A chamada austeridade exigida pelas instituições financeiras levou os países a ficarem mais pobres. Toda vez que se fala em austeridade, o pobre fica mais pobre e o rico fica mais rico. É isso que temos que mudar”, afirmou Lula. O presidente também defendeu um novo modelo de financiamento internacional, sem condicionalidades impostas por bancos multilaterais. Em seu discurso, Lula destacou a importância de o Brics discutir alternativas ao sistema financeiro baseado no dólar, embora reconheça os entraves políticos. “Se a gente não encontrar uma nova fórmula, vamos terminar o século 21 como começamos o século 20 — e isso não será benéfico para a humanidade”, disse.

A pauta da desdolarização tem apoio de países como Rússia e China, além da própria Dilma Rousseff, mas enfrenta resistência de integrantes do bloco como Índia e Emirados Árabes Unidos. A proposta também já motivou ameaças por parte do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que chegou a condicionar o não surgimento de uma nova moeda à manutenção de relações comerciais com os países do Brics. Lula também criticou a falta de liderança global diante de conflitos como a guerra em Gaza, onde, segundo ele, Israel pratica um “genocídio”. Para o presidente, a perda de influência de organismos como a ONU reflete um cenário de enfraquecimento do multilateralismo.

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Dilma Rousseff, que abriu o evento, reforçou a necessidade de cooperação entre os países e denunciou o uso de tarifas, sanções e restrições financeiras como ferramentas de subordinação política. “O mundo está mais fragmentado, mais desigual e mais exposto a crises sobrepostas — climática, econômica e geopolítica. O multilateralismo está sob pressão”, afirmou.

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Publicado por Felipe Dantas

*Reportagem produzida com auxílio de IA