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Nordeste tem mais da metade dos 8,4 milhões de analfabetos do Brasil, diz IBGE

Com taxa de 10,6%, região supera a média nacional de 4,9%, de acordo com a Pnad

Nícolas Robert

IBGE: Nordeste tem mais da metade dos 8,4 milhões de analfabetos do Brasil
IBGE: Nordeste tem mais da metade dos 8,4 milhões de analfabetos do Brasil Geovana Albuquerque / Agência Brasília

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta sexta-feira (19) pelo IBGE, mostra que o Nordeste tem 4,8 milhões de pessoas que não sabem ler nem escrever, o que representa mais da metade dos 8,4 milhões de analfabetos do país. A taxa de analfabetismo na região é de 10,6%, o maior índice de todo o território, enquanto a média brasileira recuou para 4,9% em 2025.

Esta é a primeira vez que a taxa nacional fica abaixo de 5% desde 2016. Em comparação com 2024, houve uma redução de 592 mil pessoas incapazes de ler e escrever um bilhete simples no país. Apesar do avanço, o Brasil não atingiu a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelecia a erradicação do analfabetismo até 2024.

As regiões do Brasil apresentam os seguintes indíces de analfabetismo:

  • Nordeste: 10,6%
  • Norte: 5,7%
  • Centro-Oeste: 3,3%
  • Sul: 2,4%
  • Sudeste: 2,3%

Na educação infantil, o Norte e o Nordeste sofrem com a falta de infraestrutura. No Norte, 44,5% das crianças de 2 a 3 anos que estão fora da escola não frequentam creches por falta de vagas ou de instituições na localidade. No Nordeste, o percentual é de 37,2%. Além disso, o país atingiu a meta do PNE para crianças de 6 a 14 anos no ensino fundamental (96,1%), mas ainda não retomou os níveis pré-pandemia.

Concentração na população idosa

De acordo com o IBGE, o analfabetismo no Brasil está fortemente associado à idade. Pessoas com 60 anos ou mais correspondem a 58% do total de analfabetos, somando 4,9 milhões de indivíduos. Nessa faixa etária, a taxa é de 13,8%. Quando considerada apenas a população de 15 a 59 anos, o índice cai para 2,6%, o que indica maior acesso à escolarização entre as gerações mais novas.

“A diferença entre esses grupos da população reforça a importância de políticas de manutenção de crianças e jovens na escola, bem como aquelas específicas para alfabetização de adultos e idosos. Também indica que as novas gerações tiveram maior acesso à escolarização e foram alfabetizadas ainda na infância. Portanto, o analfabetismo segue mais associado aos idosos”, afirma o analista da pesquisa, William Kratochwill.

Pela primeira vez, em 2025, a taxa de analfabetismo entre mulheres idosas (13,7%) foi menor que a dos homens na mesma faixa etária (14,1%). Na média geral da população a partir de 15 anos, as mulheres também apresentam um indicador melhor (4,6%) em comparação aos homens (5,2%).

Desigualdade racial

A pesquisa revela disparidades estruturais entre cores e raças. O analfabetismo entre pretos ou pardos com 60 anos ou mais (20,6%) é quase três vezes superior ao de brancos (7,3%). No entanto, houve avanços no nível de instrução: pela primeira vez, mais da metade (51,3%) da população preta ou parda com 25 anos ou mais concluiu o ensino médio. Entre brancos, esse percentual é de 64,9%.

A média de anos de estudo do brasileiro de 25 anos ou mais subiu para 10,2 anos em 2025. No ensino superior, a diferença permanece perceptível: 6,2% dos brancos entre 18 e 24 anos já concluíram a graduação, mais que o dobro dos 3,0% registrados entre pretos ou pardos.

Entre os jovens de 14 a 29 anos, 7,7 milhões não completaram o ensino médio. O principal motivo para o abandono ou a falta de frequência escolar é a necessidade de trabalhar, citado por 43% dos entrevistados. O desinteresse pelos estudos é o segundo motivo (25,6%). Para as mulheres, fatores como gravidez (24,7%) e afazeres domésticos (8,6%) surgem como obstáculos específicos para a permanência no ensino.

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