Latinos demais para ser minimalistas

Os movimentos recentes da cultura são força a uma nova estética global

  • Por Talita Souza
  • 08/02/2026 08h00
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Divulgação/BuenaGente s

Ser latino(a) está na moda. Depois de anos de dominação de uma estética asséptica e minimalista, a moda parece voltar a falar alto. A era da clean girl — pele glow, guarda-roupa neutro, cabelo alinhado — começa a perder força diante de um universo visual quente, exagerado e intencionalmente imperfeito.

Bad Bunny

Bad Bunny foi o vencedor do prêmio Álbum do Ano do Grammy 2026

Um movimento demora a chegar às passarelas, mas já domina os feeds. Nas redes, criadoras de conteúdo latino-americanas puxaram esse imaginário para o centro da conversa com o bordão “latina demais para ser minimalista”. Logo depois, as brasileiras passaram a ressignificar e assumir a estética “fubanga” com roupas nada discretas.

Conteúdos como esses são sintomas de uma virada cultural. A ascensão do cinema brasileiro, a vitória de Bad Bunny no Grammy (com o primeiro álbum inteiramente em espanhol a ganhar a premiação) e sua apresentação no Super Bowl neste domingo não são eventos isolados. Nunca consumimos tanta cultura latina como agora.

O ator brasileiro Wagner Moura posa na sala de imprensa com o prêmio de Melhor Ator em Filme Dramático por "O Agente Secreto" durante a 83ª edição do Globo de Ouro, no hotel Beverly Hilton, em Beverly Hills, Califórnia, em 11 de janeiro de 2026. (Foto de Etienne Laurent / AFP)

O filme “O Agente Secreto” levou duas estatuetas na 83ª edição do Globo de Ouro

E enquanto cantores globais vêm ao Brasil e fazem questão de apreciar nossa música, ritmos como reggaeton, corridos mexicanos e funk brasileiro que passaram dos charts globais para os briefings das grandes marcas. O que antes era visto como periférico já inspira campanhas, coleções e narrativas publicitárias.

O ritmo carioca, por exemplo, foi a escolha da Rabanne para a campanha de verão 2025 da marca, em uma colaboração do diretor francês Emmanuel Cossu e a fotógrafa e artista visual Melissa de Oliveira, nascida do Morro do Dendê, no Rio de Janeiro.

Já na semana de moda de Nova York, no ano passado, a PatBO, única marca brasileira no evento, levou à passarela uma coleção intitulada “Alma Latina”. Mais recentemente, a  FARM apresentou “Buena Gente”, uma coleção dedicada ao amor à diversidade latino-americana.

PatBo apresenta coleção "Alma Latina" na NYFW

PatBo apresenta coleção “Alma Latina” na NYFW

Em um mundo atravessado por tensões geopolíticas, crises identitárias e disputas de poder, a expressão do orgulho em ser latino vai além do visual e se torna também um ato político. Diante de um cenário global que volta a valorizar padrões homogêneos e fronteiras rígidas, assumir o exagero, a cor e o ruído se torna uma forma simbólica de respeito às raízes e revela um desejo de pertencimento, voz e afirmação.

 

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