‘Geralt quer ser herói, mas sabe que é vilão para algumas pessoas’, diz Henry Cavill

  • Por Jovem Pan
  • 26/12/2019 08h48
ReproduçãoAtor deu entrevista exclusiva durante passagem pelo Brasil em dezembro

Com a difícil missão de dar vida a Geralt de Rivia na série “The Witcher”, personagem que já carrega uma legião de fãs, o ator Henry Cavill apareceu de surpresa no painel da Netflix na CCXP, evento que aconteceu no início do mês.

Ao lado da showrunner da produção, Lauren S. Hissrich, Cavill deu detalhes sobre a produção e exibiu três cenas da primeira temporada. A entrevista abaixo foi concedida exclusivamente ao jornal O Estado de S. Paulo após o painel.

Como você descreveria Geralt?

Ele é como um supersoldado, sem filiação política, projetado para matar monstros e treinado para não ter emoções. Apesar desse treinamento, ele é um homem cheio de emoções. Ele tem um ‘approach’ muito direto em relação a tudo, e por causa das suas emoções, ele se envolve em coisas em que não deveria se envolver Ele acredita no certo. E, por isso, em diversas situações ele tem que fazer o errado para fazer o certo.

É possível defini-lo como bom, mau ou algo no meio disso?

Ele não é bom nem mau. O interessante sobre “The Witcher” e o jeito que Andrzej Sapkowski escreveu a série de livros, é que nela todo mundo é o herói da sua própria história. E mais: essa pessoa pode ser o herói da própria história, mas também pode ser o vilão, se visto de fora. Ou vice-versa. Geralt, de qualquer forma, é o ser mais autoconsciente. Ele quer ser um herói, mas está ciente de que é o vilão para algumas pessoas.

O que há de mais mágico no universo de “The Witcher”?

É esse terreno incrivelmente bonito em que há tudo para que seja uma mágica, bela, fantástica utopia. Mas há o jeito que tratamos uns aos outros, as diferentes espécies, nesse mundo. Tudo o que se precisa é uma única decisão, de uma pessoa ou de um grupo, para que uma relação seja perfeita, mas não são as decisões tomadas no momento. The Witcher é sobre isso: sobre decisões, e sobre quão fáceis elas podem ser.

Você já era fã de “The Witcher” antes de gravar a série. Como fã, você está feliz com o resultado?

Absolutamente. Como fã, era muito importante para mim interpretar Gerald da melhor forma possível. Eu sou um grande fã dos games, dos livros, e nos livros você tem a oportunidade de ver toda a complexidade de Geralt. Foi um desafio, porque é como se, no início, nós tivéssemos três personagens, e para mim foi como ferver tudo isso e recriar Geralt com o núcleo de quem ele realmente é. E inserir nessa estrutura maior que nos forneceram. Gosto do jeito como lidei com ele.

Já estamos vendo muitas comparações com “Game of Thrones” na mídia. É inevitável, de certa forma, que algumas pessoas relacionem as duas séries. O que você acha sobre isso?

A única comparação que você pode fazer entre “Game of Thrones” e “The Witcher” é que elas existem dentro de um mesmo gênero, o de fantasia. Mas se você é um fã de fantasia, percebe que as duas séries estão em diferentes lados do espectro. Quando eu comecei a ler “Game of Thrones”, era quase como a história medieval final. “The Witcher” é muito mais fantástico. Há monstros mágicos, elfos, anões, gnomos. É completamente diferente. Apesar disso, as pessoas vão traçar paralelos, porque a mídia está dizendo que “The Witcher” é o próximo “GoT”. Não pode existir um novo “Game of Thrones”.

Sobre o que é “The Witcher”, para além do texto principal?

Sobre colonialismo, xenofobia e política. E, do outro lado e tão importante quanto, sobre amor, família e destino. É muito fácil falar só das coisas negativas, questões sociais e políticas. Mas as coisas que realmente importam nos livros são amor, família e destino. Eles são os objetivos finais, e as coisas negativas são o que se precisa navegar para chegar até lá.

*Com Estadão Conteúdo