Atletas e comitês olímpicos fazem pressão pelo adiamento da Olimpíada de Tóquio

  • Por Jovem Pan
  • 20/03/2020 19h16 - Atualizado em 20/03/2020 19h44
Reprodução/TwitterA nadadora Etiene Medeiros, detentora do recorde mundial nos 50m

Dirigentes, atletas e comitês olímpicos nacionais têm se manifestado nos últimos dias a favor da mudança de data dos Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão. O impacto da pandemia do coronavírus tem criado uma pressão sobre o Comitê Olímpico Internacional (COI) para que o evento seja transferido para outra data. A previsão inicial é 24 de julho. Apesar do ambiente de cobrança, as federações internacionais das modalidades ainda não se manifestaram.

Atletas de natação e atletismo, duas das provas mais nobres dos Jogos, já começaram a demonstrar contentamento com a postura do Comitê. Muitos estão em isolamento, sem possibilidade de treinar. Clubes esportivos também estão fechados.

“É um ano que representa muito para nós atletas de alto rendimento. Eu não sou a favor. O mundo grita para uma outra situação, focada na saúde. Nosso planejamento está sendo recuado Muita gente sem piscina e sem poder treinar, ou seja, sem conseguir seguir os planos de treinamento. Não cabe a mim decidir, mas sim falar sobre. Quanto mais a gente se unir e olhar para o próximo, vamos passar por essa”, disse a nadadora Etiene Medeiros.

A programação de Etiene foi totalmente prejudicada pela pandemia. Ela estava na reta final de sua preparação para a seletiva olímpica, agendada para o fim de abril. O evento, porém, foi adiado para junho. Situação parecida vive o nadador Bruno Fratus, que questionou Kirsty Coventry, presidente da comissão dos atletas do COI, nas redes sociais.

“Kirsty, como colega nadador e atleta olímpico, eu te peço para reconsiderar e consultar outros atletas pelo mundo. Não tenho certeza se você está sabendo que muitos atletas, como eu, estão impossibilitados de treinar. Além disso, o conselho para ‘continuar fazendo o que vocês estão fazendo’ me parece desconectado da realidade quando você vê líderes mundiais diariamente na televisão pedindo para as pessoas se isolarem”, disse.

Ciente das críticas que vem recebendo, Thomas Bach, presidente do COI, pediu calma aos atletas. “Vamos continuar agindo de maneira responsável no interesse dos nossos atletas, mas respeitando os dois princípios: o primeiro, a saúde de todos nossos atletas e a contenção da contaminação dos vírus, e o segundo, protegendo o interesse dos atletas e dos esportes olímpicos, e esse foi espírito desta produtiva reunião”, disse.

Dirigentes criticam

A postura irredutível do governo japonês, que prevê o recebimento de 600 mil estrangeiro durante os Jogos, tem irritado personalidades do esporte. Na última terça-feira, representantes de comitês olímpicos nacionais debateram em uma videoconferência o risco da realização de um evento desta magnitude durante uma pandemia.

“As notícias que recebemos todos os dias são desconfortáveis para todos os países do mundo, mas para nós, o mais importante é que nossos atletas não podem treinar e celebrar os Jogos em condições desiguais. Queremos que a Olimpíada aconteça, mas com segurança”, disse o presidente da entidade espanhola, Alejandro Blanco. Segundo o dirigente, os atletas locais estarão em desvantagem na Olimpíada pois não têm conseguido treinar. A maioria está em confinamento para evitar o contágio.

O Comitê Colombiano também manifestou a sua preocupação. “A decisão mais prudente e, é claro, a mais respeitosa do Comitê Olímpico Internacional e dos organizadores de Tóquio é adiar os Jogos, caso não possam garantir a participação sem riscos”, afirmou Baltazar Medida.

A Grã-Bretanha, uma das maiores potências olímpicas do Mundo, engrossou o coro que apela pela adiação dos JOgos. Em entrevista ao the Guardian, o diretor da UK Athletics, órgão que rege o atletismo no Reino Unido, Nic Coward, revelou sentir uma angústia nos atletas. “Com o fechamento das instalações, a capacidade dos atletas de obterem a melhor forma possível é comprometida na melhor das hipóteses. Isso está criando pressão intensa. As pessoas precisam entender isso”, comentou.

O país com mais mortes no mundo em decorrência do vírus, a Itália tem pensamento semelhante. Presidente do comitê olímpico local por 14 anos e atual presidente da federação nacional de basquete, Giovanni Petrucci fez críticas pesadas. “Eu não sou contra a Olimpíada, mas dizer que a Olimpíada ainda vai continuar é um grande erro de comunicação”, disse. “Não sou o único que pensa assim. Outros simplesmente não querem dizer isso”, acrescentou.

* Com Estadão Conteúdo.