“Edílson planejou embaixadinhas no treino”, revela Vampeta, 19 anos depois

  • Por Jovem Pan
  • 07/04/2018 08h00
Agilberto Lima/Estadão ConteúdoVampeta retira Edílson da confusão na final do Paulista contra o Palmeiras, em 1999. Dezenove anos depois, ele revelou bastidores daquele dia

“Não… Não vou comentar nada! Depois do jogo a gente fala”.

Vampeta estava com os ânimos exaltados no dia 20 de junho de 1999.

Tanto que, em uma atitude pouco usual para um dos boleiros mais polêmicos de todos os tempos, evitou falar com a imprensa após a briga generalizada que eternizou a final do Campeonato Paulista entre Corinthians e Palmeiras.

O silêncio perdurou.

Mas, 19 anos depois, na véspera do reencontro entre as duas equipes em uma decisão estadual, foi, enfim, quebrado.

Em entrevista exclusiva ao repórter André Ranieri, da Rádio Jovem Pan, Vampeta viajou no tempo e revelou que as embaixadinhas de Edílson que provocaram o “quebra-pau” no Morumbi foram planejadas pelo próprio atacante do Corinthians na semana anterior ao jogo.

“Nós entramos pilhados naquela partida, porque, um mês antes, havíamos sido eliminados pelo Palmeiras na Libertadores”, relembrou Vampeta. “Além disso, no primeiro jogo da final, os caras entraram em campo com o cabelo pintado de verde, porque tinham acabado de ganhar a Libertadores. Só que nós vencemos por 3 a 0.”

Com a vantagem, houve tempo (e clima) para os corintianos pensarem em uma “vingança” para o jogo da volta.

“Aquela confusão, aquelas embaixadinhas… Foi tudo planejado”, garantiu Vampeta. “Eu me lembro que, durante um treino em Atibaia, o Edílson falou: ‘nós temos que devolver a gozação para os caras’. O Dinei falou: ‘pô, então vamos imitar a Tiazinha, a Feiticeira’, porque era assim que o Paulo Nunes costumava fazer.”

Foi aí que Edílson interveio. “Ele disse: ‘isso aí não… Só me avisem quando estiver para acabar o jogo, que eu vou cruzar o campo fazendo embaixadinha, independentemente do placar'”, revelou Vampeta. “E ele fez… O jogo estava 2 a 2, gritaram do banco que faltavam 15 minutos para acabar, e o Edílson fez as embaixadas. Aí o pau quebrou.”

“Quebrou” tanto que o árbitro Paulo César de Oliveira não viu condições de retomar a partida. O 2 a 2 foi declarado o resultado final do jogo e consagrou o Corinthians campeão paulista pela 23ª vez.

A pancadaria ficou eternizada, é verdade, mas, ao menos, não deixou resquícios na relação entre os atletas. “Hoje, todo mundo é amigo”, garantiu Vampeta. “Nós fizemos as pazes poucos dias depois. A rivalidade só ficava dentro de campo.”

Prova disso é que, daquele jogo, saíram sete campeões mundiais pela Seleção Brasileira em 2002: Marcos, Roque Júnior, Júnior, Vampeta, Ricardinho e Edílson, além do técnico Luiz Felipe Scolari.