“Marco Polo acabou”, diz Bastos, presidente da Federação Paulista

  • Por Jovem Pan
  • 08/04/2018 14h09 - Atualizado em 08/04/2018 14h09
Divulgação/CBFMarco Polo Del Nero (esq.) e Reinaldo Carneiro Bastos: um relacionamento conturbado que vem desde a Federação Paulista

Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), disse que o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) até 17 de abril, Marco Polo Del Nero, afastado pela Fifa após acusações de recebimento de propina, “acabou”.

Questionado sobre o futuro de Marco Polo, Bastos disse: “Acabou. Não vejo nenhum futuro. Espero que não tenha futuro. Não no futebol”.

Bastos, que já articulou para tentar assumir o comando do futebol brasileiro, não participará da eleição do próximo presidente da CBF daqui a nove dias. Em entrevista exclusiva à Jovem Pan, O presidente da FPF elogiou, mas fez ressalvas ao candidato único, Rogério Caboclo.

Indagado se considera Caboclo um “soldado” de Marco Polo, Bastos refutou: “se for será um desastre. Eu não acredito (que será)”.

“Rogério é um cara jovem que tem um excelente trabalho administrativo, financeiro e jurídico e que tem dificuldade de falar de futebol, eu falei isso para ele. Se corrigir essa forma de falar de futebol, ele vai fazer uma grande gestão”, projetou.

“Agora, se (Caboclo) tiver atrelado (a Marco Polo) será pior do que antes”, disse. “Não se comanda através de uma pessoa. Ele precisa se cercar de gente que fale futebol”, sugeriu.

O presidente da Federação Paulista criticou Walter Feldman, atual secretário-geral da CBF, que, segundo ele, “não entende nada de futebol e atropela as coisas sem nenhuma competência para falar de futebol”.

“Quer ser presidente?”

Questionado se pensa ser presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Bastos não descartou a possibilidade e já apresentou a uma plataforma de propostas.

“Eu penso sempre em melhorar o futebol”, disse. “Eu não penso exclusivamente em ser presidente. O que eu cobro muito e falo muito é que se pode fazer muito mais e melhor do que tem sido feito agora na CBF”, cobrou.

O presidente da FPF defendeu, em âmbito nacional, uma “gestão mais transparente, respeitando cada vez mais os clubes, ouvindo os clubes, ouvindo segmentos, abrindo portas. É assim que você erra menos”.

“O futebol brasileiro tem sido judiado. Esses últimos tempos de Marco Polo, essa tensão, essa forma como tem sido tratado, o futebol tem sido diminuído e maltratado”, classificou.

Quais são os seus planos para o futuro? Bastos responde: “fazer um trabalho cada vez melhor na Federação” e “continuar se colocando claramente perante a CBF, opinando e cobrando aquilo que o futebol de São Paulo entende melhor para todos”.

Críticas ao processo eleitoral

O presidente da FPF condenou o processo eleitoral da semana que vem para a presidência da CBF.

Questionado se se sentiu traído por Del Nero, Reinaldo Bastos disse: “Não foi uma forma legal, republicana de tratar o assunto. Mas Marco Polo acabou. Encerrado esse assunto. Qualquer relação que eu possa ter (com ele) vai ser somente formal”.

“Não é o Reinaldo ser presidente. É a forma como foi feito. É não ter ninguém nenhuma oportunidade de apresentar qualquer projeto que seja”, criticou Bastos.

“Clubes e federações vão votar em quem? Numa pessoa. Não em um projeto. Eu não estou lutando por mudança para o Reinaldo ser presidente. Eu estou lutando por mudança de hábitos, mostrar às pessoas”, discursou.

“Até os políticos têm um plano de governo”, comparou Bastos. “Ninguém sabe qual é o projeto de quem será o próximo presidente (da CBF)”.

Ele defende um processo “mais amplo e mais democrático” de escolha. “Quanto mais tempo você tiver comunicado aos seus eleitores que haverá uma eleição, mais pessoas podem apresentar formas e normas para comandar a CBF no futuro”, disse.

Bastos defendeu também um diálogo maior entre a CBF, as federações e os clubes. Ele quer, “antes de soltar o regulamento (do Campeonato Brasileiro), discutir com as pessoas quer fazem o futebol”.

“O campeonato não passa a ser o campeonato da CBF. Quando você colocar numa mesa clubes, treinadores e executivos e sair de lá, em conjunto, um regulamento, é o campeonato de todos”, disse. “Até as críticas diminuem”, ponderou. “Deixar de ser o ‘campeonato da entidade'”.

Nos últimos anos, iniciativas dos clubes como Clube dos 13 e Primeira Liga têm ameaçado a hegemonia da CBF na organização do futebol brasileira.

Educação

Bastos opinou ainda que “o futebol este ano tecnicamente deixou a desejar”.

“Precisamos colocar na cabeça que as entidades que fazem, dirigem e organizam competições precisam entender que cada vez mais é importante se reunir para falar de futebol desde sub-11, sub-12, sub-13”, propôs.

“Estamos gerando atletas mal-educados. A culpa é nossa, não dos meninos. A culpa é dos dirigentes de clube, de federação, do treinador, treinador físico”, exemplificou.

“Eles veem o exemplo ruim de cima, das grandes estrelas e começam a achar que aquilo é correto”, disse o presidente da Federação Paulista. Para ele, falta uma “ação rápida e efetiva para mostrar que aquilo não deve ser feito”.

Ouça a entrevista completa com Reinaldo Carneiro Bastos, que também informou em primeira mão que o Campeonato Paulista do ano que vem terá em suas regras a previsão de treinos abertos: