Primeiro título de Neymar! Há 10 anos, Santos fez final eletrizante contra o Santo André

  • Por Pedro Sciola
  • 02/05/2020 05h00 - Atualizado em 02/05/2020 13h30
Reprodução/Ricardo SaibunO Santos foi campeão do Paulista de 2010

Há exatamente 10 anos, Santos e Santo André fizeram uma das finais mais eletrizantes da história do Campeonato Paulista. Depois de bater o rival por 3 a 2 no jogo de ida, o Peixe sofreu uma derrota pelo mesmo placar, mas acabou sagrando-se campeão devido a melhor campanha realizada na fase de grupos. No Pacaembu, o público pôde presenciar uma decisão com cinco gols, quatro expulsões, show da dupla Neymar e Ganso e um excelente futebol praticado pelo time do ABC.

Em entrevista à Jovem Pan, Dorival Júnior, então treinador do Alvinegro praiano, recordou que a partida foi complicada desde o começo. Além de marcar logo no primeiro minuto, o Santo André ficou com um jogador a mais no primeiro tempo, chegou a colocar uma bola na trave nos acréscimos e pressionou o Peixe, que terminou a partida com 8 homens em campo.

“Acredito que tenha sido a final mais emocionante dos últimos anos. Um jogo muito complicado, muito difícil. Primeiro, uma equipe muito estruturada, a do Santo André. Uma equipe com grandes jogadores e muito bem dirigida pelo Sérgio Soares, que nos trouxe muitos problemas”, disse Dorival, atualmente no comando do Athletico-PR. “Ficamos com um jogador a menos logo no 1º tempo, aquilo pesou consideravelmente no desenvolvimento da nossa equipe. As dificuldades foram grandes, mas por tudo que o Santos conquistou ao longo da competição, merecia muito aquela conquista”, continuou.

Precisando vencer por dois gols, o Santo André saiu na frente após Nunes aproveitar jogada de Cicinho. Aos 8, Robinho deu passe de letra para Neymar, que enfileirou a defesa e o goleiro para anotar um golaço e empatar. Melhor no embate, o time visitante voltou à frente do placar com bela cabeçada de Alê, após cobrança de escanteio.

Com clima quente, a final incendiou de vez depois de Neymar simular uma falta. Irritados, os jogadores do Santo André cercaram o árbitro. Houve uma confusão generalizada, resultando nas expulsões do lateral Léo e do atacante Nunes. Com a bola voltando a rolar, Ganso deu passe magistral de letra para Ney, que mostrou frieza para deixar o placar igualado novamente aos 31.

A equipe do litoral, no entanto, viu Marquinhos receber o cartão vermelho direto após entrada violenta em Branquinho. Com um a mais, o Santo André teve ainda mais espaço e desceu para o intervalo com a vitória de 3 a 2 com tento do próprio Branquinho, que recebeu de Bruno César por dentro e bateu na saída do goleiro Felipe.

“O jogo estava aberto e franco, com as duas equipes se atacando. Mesmo o Santos com jogadores a menos, não abria mão do ataque, da ofensividade. Quando perdíamos a posse de bola, tínhamos algumas dificuldades na recomposição”, lembra Dorival, que considerou o trabalho como um dos melhores da sua carreira.

“Com aquela atitude, é natural que tenha dificultado consideravelmente o rendimento da nossa equipe, o desenvolvimento do nosso jogo. Ele [Marquinhos] teve consciência disso. [No intervalo] Ele estava ajoelhado nos pés da santa fazendo suas orações. Foi uma cena que chamou muito a atenção”, revelou o treinador.

Não era o dia do Santo André 

A sorte não estava ao lado do Ramalhão naquele dia 2 de maio de 2010. Na etapa inicial, a auxiliar Maria Eliza Correa Barbosa errou ao marcar impedimento e anular um gol de Rodriguinho. No entendimento de Sérgio Soares, técnico do time na época, o lance não só tirou o troféu da equipe do ABC, como também prejudicou o desenrolar da sua carreira.

“Nós fomos prejudicados, sim. Tivemos um gol anulado de forma ilegitima, o gol era legítimo. O gol mudaria tudo, nos daria o título. Eu imagino que o gol, uma conquista teria mudado o direcionamento da minha carreira. Ser campeão paulista contra um Santos, que, na minha opinião, era o melhor Santos de 2010 para cá, com certeza eu estaria alcançando um grande clube já naquele momento. Não digo mágoa, mas o fato deles terem errado – e não digo só a Maria Eliza, mas o Sálvio [Spínola] também porque ele fez parte”, declarou Sérgio, em entrevista à Jovem Pan.

Além disso, o Santo André acertou a trave com Branquinho no primeiro tempo, viu Arouca salvar uma bola sobre a linha e ainda chutou no poste do goleiro santista aos 45 minutos do segundo tempo, com Rodriguinho.

“Acho que o futebol é complicado de falar em sorte e azar. No lance do Rodriguinho, faltou tranquilidade. No lance da trave, normalmente ela pega no poste e entra, mas acabou voltando para dentro do campo. Mas nós fomos infelizes. Fizemos um baita campeonato, um baita jogo… faltou felicidade essa bola não ter entrado porque seríamos campeões”, lamentou Sérgio Soares, que deixou a Ferroviária recentemente e está sem clube.

Nos minutos finais da decisão no Pacaembu, Paulo Henrique Ganso ainda protagonizou um momento que é lembrado até os dias atuais. Na época com apenas 20 anos, o armador “peitou” Dorival Jr., não quis ser substituído e se recusou a deixar o campo. O lance aconteceu após Roberto Brum ser expulso e deixar o Santos com apenas oito atletas no confronto.

“Olha, depende de que prisma você analisa uma atitude como aquela. Eu vejo pelo lado positivo porque a vontade do jogador em permanecer é mais importante do que qualquer outra situação. Além do que, o Paulo Henrique, mesmo bastante desgastado, era o único que vinha segurando bola na nossa equipe. E isso eu já tinha falado pra ele quando disse que estava esgotado”, disse Dorival.

Segurando o grito até o apito final, a torcida santista gritou “é campeão” após uma partida dramática. A conquista também foi a primeira da dupla Neymar e Ganso, que viria a conquistar mais dois Estaduais (2011 e 2012), a Copa do Brasil (2010) a Copa Libertadores (2011) e a Recopa Sul-Americana (2012).

Ao todo, Neymar soma 24 títulos na carreira, sendo seis pelo Santos, dez com o Barcelona, seis com a camisa do Paris Saint-Germain e mais dois representando a seleção brasileira. Confira a lista completa aqui.