“Mário Sérgio foi, talvez, o jogador mais habilidoso que eu já vi”, revela Falcão

  • Por Jovem Pan
  • 30/11/2016 15h35

Mário Sérgio e Paulo Roberto Falcão jogaram juntos no Internacional em 1979 e 1980

Reprodução/Revista Placar Mário Sérgio e Paulo Roberto Falcão jogaram juntos no Internacional em 1979 e 1980

Zico, Sócrates, Júnior, Leandro, Toninho Cerezo, Careca… Paulo Roberto Falcão jogou ao lado de atletas extremamente talentosos, que marcaram época com a camisa da Seleção Brasileira. Mas, em um dos momentos mais tristes da história do esporte mundial, foi o nome de Mário Sérgio que o ex-volante colocou no topo da lista dos atletas mais habilidosos com os quais já jogou na vida – ex-camisa 10 foi uma das 71 vítimas do terrível acidente aéreo que matou jornalistas, tripulantes e boa parte da delegação da Chapecoense na última terça-feira, na Colômbia. 

O Mário foi, talvez, o jogador mais habilidoso que eu já vi. De qualidade individual, técnica… Ele fazia, com o pé esquerdo, exatamente aquilo que queria e com uma simplicidade assustadora“, disse Falcão, em entrevista exclusiva a Nilson Cesar que vai ao ar no próximo fim de semana, na Rádio Jovem PanAlém disto, era uma figura muito doce, muito boa, embora bastante polêmica. Era extremamente amigo dos amigos e sempre lutava pelo que achava certo“, acrescentou, com a voz embargada. 

A relação de Falcão com Mário Sérgio, afinal, sempre foi muito amistosa. Muito antes de trabalharem juntos como comentaristas na Fox Sports durante a Copa do Mundo de 2014, os dois se conheceram e estabeleceram uma rara ligação de reciprocidade. Foi Falcão, por exemplo, quem levou Mário Sérgio para o Internacional no final dos anos 1970, quando o Vesgo, como era conhecido, jogava no Rosário Central, da Argentina. 

“Era janeiro de 1979. Eu estava no Rio de Janeiro, de férias, jogando uma pelada num campo de society, e o Mário estava lá… Eu me impressionei com a habilidade dele”, revelou Falcão, que, na época, era o capitão do Inter. “Eu o vi jogando, gostei muito e o convidei para jogar lá com a gente, no Inter. Depois, ele me confidenciou que achava ficaria naquela conversa, mas não ficou“.

Na volta a Porto Alegre, a primeira coisa que Falcão fez foi procurar Marcelo Feijó e Gilberto Medeiros, então presidente e diretor de futebol do Inter, respectivamente. “Eu fui sugeria contratação do Mário. Os dois perguntaram se eu estava louco, porque a imagem do Mário era de um cara problemático, que fazia muita confusão. Mas eu disse que ele não causaria nenhum problema para o Inter“, recordou-se Falcão. 

Primeiro, porque eu era o capitão do time e disse que seguraria a bronca. E, depois, porque o Marcelo e o Gilberto eram muito sérios… Eu confiava que eles cumpriram tudo o que prometeriam para o Mário, evitando qualquer tipo de reação intempestiva dele. Foi o que aconteceu. O Mário não teve nenhum tipo de problema no Inter. Muito pelo contrário: até puxava a fila nos treinos“, complementou. 

ex-camisa 10 ficou na equipe colorada até 1981 e, três anos depois, voltou ao clube gaúcho, já como campeão mundial pelo Grêmio. Sua identificação com o Inter, porém, nunca foi colocada em xeque. Em três anos no clube colorado, afinal, Mário Sérgio foi campeão brasileiro (1979) e bicampeão gaúcho (1981 e 1984), além de vice-campeão da Libertadores (1980). 

A morte trágica do amigo mexeu muito com o quase sempre frio Paulo Roberto Falcão. “Acordei, vi a notícia e fiquei grudado na TV o dia inteiro. Fiz tudo de forma automatizadaté às 19h. A ficha só foi cair quando eu fui buscar a minha filha no ballet. Ali, eu fechei os olhos e pensei em tudo o que tinha acontecido… Foi como se eu tivesse levado uma surra“, revelou. “O Mário é uma figura que vai fazer muita falta no meio”, finalizou, visivelmente emocionado.