Jogador pede retratação após polêmica com Rodrigo Bocardi: ‘Achei mal-intencionado’

  • Por Jovem Pan
  • 10/02/2020 11h59
ReproduçãoRodrigo Bocardi foi acusado de ter praticado racismo contra Leonel Díaz

Jogador de polo aquático, Leonel Diaz viu seu nome “bombar” nas redes sociais após dar uma entrevista ao “Bom Dia São Paulo”, da TV Globo, na última sexta-feira (7). Na ocasião, o atleta foi questionado pelo âncora Rodrigo Bocardi se ele trabalhava “pegando bolinhas” no Clube Pinheiros. A fala do jornalista repercutiu negativamente e muitos internautas acusaram o profissional de praticar racismo contra o esportista.

Hoje, em conversa com o portal “IG”, Leonel, de apenas 18 anos, falou sobre o episódio e disse ter encarado o comentário de Bocardi como “mal-intencionado”. Além disso, o jovem nascido em Cuba pediu retratação por parte do apresentador.

“Então, no primeiro momento eu não tinha entendido a pergunta , mas dei a resposta certa acredito. Parando para pensar depois e refletir, eu achei o comentário um pouco mal-intencionado, já que as cores do clube são azul e preto, e a blusa dos garotos que repõem as bola de tênis no clube não era parecida com a minha, o único detalhe que tinha de igual era o símbolo da entidade”, disse.

“Também gostaria de falar que não fiquei ofendido, porque se eu fosse pegador de bolinha, seria com muito orgulho, já que grandes atletas fizeram o mesmo. Enfim, pra finalizar eu quero que o âncora se retrate ao vivo, já que o comentário que ele fez foi ao vivo”, continuou Leonel.

Na entrevista, Leonel também agradeceu o apoio dos brasileiros após a polêmica com Rodrigo Bocardi. Além disso, ele disse acreditar que o polo aquático pode ter mais adesão do público no Brasil.

“Me sinto muito abraçado pelos brasileiros e agradeço pelas mensagens de carinho recebidas. Em relação ao esporte, é um esporte muito forte, e acredito que se tivese mais visibilidade o povo brasileiro iria gostar, já que tem uma bola e objetivo e fazer o gol”, declarou.

Polêmica

Durante link ao vivo do repórter Tiago Scheuer, Leonel Diaz, que estava como passageiro da linha 3-Vermelha do metrô, conversou com o âncora Rodrigo Bocardi. Ao ver que o rapaz usava uma camiseta do Clube Pinheiros, o apresentador perguntou se ele ia “pegar bolinha lá”.

“Scheuer, o Leonel vai pegar bolinha de tênis lá no Pinheiros?”, questionou Bocardi. O entrevistado respondeu que era atleta do clube, integrante do time de polo aquático.

“Aí sim, eu estava achando que era um dos meus parceiros ali que me ajudam nas partidas. Manda os parabéns para ele”, disse Bocardi.

Nas redes sociais, internautas viram como racista a fala do jornalista da Globo, já que sua primeira impressão do jovem foi de que ele era um pegador de bolas e não um esportista profissional.

Rodrigo Bocardi responde acusações

O jornalista da Globo usou o Instagram para rebater as acusações logo em seguida, justificando que sua “origem humilde” não poderia fazer dele uma pessoa preconceituosa.

“Muito triste a acusação de preconceito. Eu pratico tênis no Clube Pinheiros. Os jogadores de tênis não usam uniformes, mas os pegadores/rebatedores, sim: uma camiseta igual a do Leonel, com quem tive o prazer de conversar hoje”, escreveu Bocardi no Twitter.

“Ao vê-lo com a camiseta que vejo sempre, todos os dias, pegadores/rebatedores de todas as cores de pele, pensei que fosse um deles. Não frequento outras áreas do clube onde outros esportes são praticados. E não sabia que a camiseta era parecida. Se soubesse, teria perguntado em qual área ou esporte trabalhava ou treinava”, completou.

“Nunca escondi minha origem humilde. Comecei a vida como garoto pobre, contínuo, andando mais de duas horas de ônibus todos os dias para ir e voltar do trabalho e escola. Alguém como eu não pode ter preconceito. Eu não tenho, nunca tive, nunca terei”, disse Bocardi na ocasião, pedindo desculpas a Leonel e a quem se ofendeu com o que disse.

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Recuperei um trecho do #BDSP de uma outra sexta-feira, de um ano atrás, do dia 22/02/2019. E aproveito para fazer o esclarecimento abaixo: Muito triste a acusação de preconceito. Eu pratico tênis no Clube Pinheiros. Os jogadores de tênis não usam uniformes, mas os pegadores/rebatedores, sim: uma camiseta igual a do Leonel, com quem tive o prazer de conversar hoje. Ao vê-lo com a camiseta que vejo sempre, todos os dias, pegadores/rebatedores de todas as cores de pele, pensei que fosse um deles. Não frequento outras áreas do clube onde outros esportes são praticados. E não sabia que a camiseta era parecida. Se soubesse, teria perguntado em qual área ou esporte trabalhava ou treinava. Nunca escondi minha origem humilde. Comecei a vida como garoto pobre, contínuo, andando mais de duas horas de ônibus todos os dias para ir e voltar do trabalho e escola. Alguém como eu não pode ter preconceito. Eu não tenho, nunca tive, nunca terei. E condeno atitude assim todos os dias. Mas se ofendi pessoas que não conhecem esses meus argumentos e a minha história, peço desculpas. Não o chamei de pegador pela cor da pele ou pela presença num trem. Chamei-o por ver que vestia o uniforme que eu sempre vejo os pegadores usarem. Peço desculpas a todos e em especial ao Leonel. Obrigado.

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