Sociólogo inglês diz que administração do futebol brasileiro deve mudar

  • Por Jovem Pan
  • 27/01/2014 16h08
Estádio de Wembley - final da Liga dos Campeões de 2013

O futebol é assunto de interesse de grande parte da população brasileira, e a chegada da Copa do Mundo ao país atrai ainda mais a atenção para este esporte.

A Jovem Pan conversou com exclusividade com Richard Elliott, professor de sociologia do futebol na escola Lawrie McMenemy e PhD no assunto pela Universidade de Leicester. Ele também é consultor da Premier League pra assuntos ligados à globalização do futebol e falou sobre os legado que a Copa pode deixar ao Brasil, estranhou o fato de as novelas interferirem nos horários dos jogos e disse que Neymar ainda não tem o mesmo apelo de Beckham.  

“O futebol tem uma significante importância para economia mundial. Influencia jovens, velhos, mulheres, homens, família inteiras. Isso é visto aqui no Brasil. O futebol está na bandeira de vocês, é um componente da cultura brasileira. E na Inglaterra também. Se você for falar de um traço da cultura inglesa, você tem que falar de Shakespeare, mas também tem que falar do futebol”.

Para ele, as pessoas que não acham que o futebol seja importante não avaliam a influência que os times têm na região em que estão sediados. O especialista explica que há uma grande diferença entre o futebol brasileiro e inglês, especialmente na administração, mas que não pode ser mudado de uma hora para outra.

“Na Inglaterra tratamos o futebol como um negócio. No Brasil os dirigentes são pessoas muito apaixonadas pelos times e nem sempre o torcedor é o melhor administrador. Os dirigentes têm que ser capacitado para as exigências de uma grande empresa: profissionais na área financeira, jurídica, administrativa, marketing. Pessoas que tenham experiência nessas áreas muito complexas, e que tratem o futebol de uma maneira menos passional que o torcedor”. 

A utilização dos estádios e a violência também foram temas que Richard abordou. Segundo ele, os times brasileiros precisam trabalhar juntos aos governos para melhorarem a estrutura e a administração dos estádios, aproveitando o legado da Copa, atraindo os torcedores. “Se o Brasil não aprender isso, vocês perderão uma grande oportunidade. Agora, se vocês aprenderem, vamos ver o início dessa mudança. O estádios poderão servir para as suas cidades e para o desenvolvimento do futebol brasileiro”.

O calendário brasileiro, criticado por jogadores, técnicos e dirigentes, Richard considera benéfico, já que não proporciona uma disputa com o europeu. “Tendo um calendário diferente, você pode criar espaço pra que os times brasileiros viajem e joguem fora, ou convidem os europeus pra vir pra cá. Eu sei que é apertado por causa dos campeonatos estaduais. O ideal seria redução de datas, mas acho que existem outras prioridades antes de chegar nesse ponto”. 

Porém, ele critica a dependência em relação à TV: “Achei curiosa essa história de vocês terem jogos no meio de semana, às 22h, por causa das novelas. Na Inglaterra é o contrário. É a novela que espera o futebol terminar. Os clubes não podem negociar sozinho. Em conjunto o poder de barganha é muito maior. É só os clubes se juntarem e pensarem que eles têm o produto que a audiência quer. Os clubes não tem que brigar com a TV, mas tem que negociar com ela”.

Como um especialista em marketing, ele analisou a imagem de Beckham, um símbolo no futebol, e disse que Neymar ainda é só um dos melhores do mundo entre tanto outros na Europa. “Mas um meio de tantos. Ainda não é um Beckham. Claro, sou um inglês falando de Beckham. Se eu fosse português estaria falando de Cristiano Ronaldo, se fosse da Argentina falaria de Messi, se fosse francês falaria de Ribéry. Mesmo assim, de uma maneira global, Beckham tem um apelo como nenhum outro”. 

Sobre a Copa, Richard confessa: “Parece que tudo vai ficar pronto em cima da hora. Eu diria que vocês não estão adiantados como a FIFA gostaria, mesmo assim, não tenho dúvidas que tudo vai dar certo. Vocês farão uma grande festa”.