Hospital bombardeado em Gaza por Israel era usado por jornalistas para transmissões ao vivo
O ponto atacado por um drone israelense nesta segunda-feira (25) no hospital Nasser, no sul da Faixa de Gaza, o último patamar de uma escada de incêndio, era habitualmente usado por jornalistas de veículos de comunicação internacionais para fazer transmissões ao vivo, segundo informaram à Agência EFE colegas jornalistas. Os jornalistas mortos trabalhavam como freelancers para diferentes agências de notícias e emissoras de televisão internacionais, especificamente as agências “Reuters” (britânica) e “AP” (americana), bem como as emissoras “Al Jazeera” (catariana) e “NBC” (americana).
Trata-se de Hossam Al Masri (cinegrafista da “Reuters”), Mohamed Salama (cinegrafista da “Al Jazeera”), Mariam Abu Daqqa (repórter da “AP”) e Moaz Abu Taha (repórter da “NBC”). De acordo com as primeiras informações e vídeos do incidente, um drone israelense realizou dois ataques ao último andar da escada de incêndio do edifício Al Yassine do hospital, de onde a “Reuters” fazia transmissões ao vivo quase todos os dias e outros veículos internacionais usavam como ponto de filmagem, de acordo com vários jornalistas consultados pela EFE.
Os jornalistas iam para esse local para ter uma boa vista para o leste da cidade de Khan Younis e porque a conexão elétrica e de internet era boa. O ataque desta manhã consistiu em dois impactos aéreos, e o primeiro deles matou o cinegrafista da “Reuters”, que estava na escada trabalhando. Com o impacto, colegas jornalistas e socorristas foram ajudá-lo, quando foram atingidos por um segundo impacto.
No ataque, no qual pelo menos 14 pessoas morreram, um fotógrafo da “Reuters”, Hatem Khaled, também ficou ferido e um funcionário da Defesa Civil de Gaza não resistiu aos ferimentos. O hospital Nasser é considerado por Israel uma “zona vermelha”, razão pela qual o trabalho desses jornalistas é um dos mais arriscados em Gaza. Os quatro jornalistas mortos viviam dentro do complexo em tendas e costumavam permanecer juntos para trabalhar com mais segurança.
De acordo com o governo de Gaza, 244 jornalistas já foram mortos no enclave desde o início da ofensiva israelense em outubro de 2023, um território cujas informações dependem apenas de repórteres locais, já que Israel não permite a entrada de imprensa estrangeira. A ofensiva de Israel contra a Faixa de Gaza tornou-se uma das guerras mais mortíferas para jornalistas em décadas desde seu início em outubro de 2023, de acordo com o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ, na sigla em inglês).
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Em 10 de agosto, outro ataque israelense contra a tenda em que moravam perto do hospital Al Shifa (norte) tirou a vida de outros seis jornalistas, cinco deles funcionários da “Al Jazeera”. Entre eles estava o popular repórter Anas al Sharif, alvo do ataque e que Israel já havia ameaçado, alegando, sem provas verificáveis, que pertencia ao Hamas. Em maio, a ONG Repórteres Sem Fronteiras solicitou ao Tribunal Penal Internacional que jornalistas palestinos pudessem falar como vítimas, e não apenas como testemunhas, em sua investigação para determinar se Israel cometeu crimes de guerra durante sua ofensiva contra a Faixa de Gaza.
*Com informações da EFE
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