Irã mantém ex-presidente em prisão domiciliar por suposta trama com Israel, diz jornal
O ex-presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad está em prisão domiciliar e sob custódia do serviço de inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica. A informação foi noticiada nesta segunda-feira (13) pelo jornal New York Times.
Quatro altos funcionários iranianos contaram ao jornal que o departamento de inteligência da Guarda Revolucionária começou a suspeitar das ações de Ahmadinejad em 2017. À época, ele enviou cartas públicas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. E, depois, ao príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman.
Segundo os quatro altos funcionários iranianos, as agências de inteligência do país persa passaram a investigar e a reconstituir a ligação de Ahmadinejad com Tel-Aviv após a ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro.
Tratativas com Israel
De acordo com a reportagem, autoridades iranianas afirmaram que Ahmadinejad teria tido contato com agentes israelenses em 2023 durante viagem à Guatemala para participar de uma conferência sobre meio ambiente. No ano seguinte, em 2024, o ex-presidente iraniano foi à Hungria para um evento na Universidade Ludovika.
Em entrevista ao jornal, o reitor da instituição de ensino, professor Gergely Deli, disse que o evento seria uma fachada para que Ahmadinejad tivesse conversas secretas na capital húngara, Budapeste, com agentes de inteligência de Israel.
Ahmadinejad foi novamente à universidade em 2025. Segundo informaram autoridades norte-americanas e iranianas ao New York Times, visitas fizeram parte de um esforço de Israel para prepará-lo como agente de inteligência e, posteriormente, ser empossado como novo líder no Irã.
Durante a ofensiva de 28 de fevereiro, um ataque aéreo de Israel atingiu a residência de Ahmadinejad. Pouco depois, o ex-presidente iraniano deixou o local em um carro preto.
Ao jornal, autoridades dos Estados Unidos e do Irã disseram que agentes do Mossad (agência de inteligência de Israel) o levaram a uma casa segura no país persa. Fontes ouvidas pelo New York Times contaram que Ahmadinejad ficou contrariado com a operação e pareceu desiludido com a promessa de ser devolvido ao poder. Assim, o ex-presidente do Irã deixou o local.
Ahmadinejad não era visto em público até o velório do ex-líder supremo aiatolá Ali Khamenei. Os vídeos do cortejo fúnebre mostraram o ex-presidente do país persa vestido com um casaco pesado, em calor de 32ºC, e com uma máscara cirúrgica abaixada até o queixo. Ele estava cercado por pessoas que pareciam seguranças e manteve a cabeça baixa sem dizer uma palavra.
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