Após táxis, Uber agora enfrenta os próprios motoristas do serviço no Brasil

  • Por Agência Estado
  • 27/03/2016 10h17

Foto ilustração do logotipo do Uber diante de uma faixa reservada para táxisFoto ilustração do logotipo do Uber diante de uma faixa reservada para táxis

Um grupo de motoristas que utilizam no Brasil o aplicativo de carona paga da multinacional norte-americana Uber mobiliza uma paralisação de 24 horas, a partir das 5h desta segunda-feira (28), para protestar contra a redução de 15% na tarifa, aplicada no ano passado.

Os organizadores estimam que 2 mil motoristas devem desligar o aplicativo – segundo a Uber, há 10 mil parceiros no País. Eles se queixam do crescente número de novos colaboradores, o que, aliado à queda na tarifa, estaria causando prejuízo. Motoristas pedem que o valor seja reajustado em 35%.

A expectativa é de que o protesto reúna profissionais de São Paulo – onde se espera a maior adesão -, Rio, Belo Horizonte, Goiânia, Porto Alegre, Brasília, Recife, Curitiba e Campinas. Na capital paulista, parte do manifestantes se organiza para estacionar os veículos, a partir das 8h, na Praça Charles Miller, na zona oeste, na frente do Estádio do Pacaembu, mesmo local onde taxistas já fizeram atos contra a regulamentação da Uber. Outro grupo deve se reunir no Parque Villa-Lobos, na zona oeste.

Organizado por meio do WhatsApp, o movimento pede diálogo com a Uber. Na última semana, o aplicativo suspendeu motoristas temporariamente. O Estado apurou que a empresa fez uma varredura para coibir suspeitas de fraude, mas, oficialmente, ela nega o desligamento definitivo. Os motoristas, porém, afirmam que a Uber expulsa profissionais que organizam protestos.

Por medo de represália, a maioria dos motoristas ouvidos pela reportagem e que vão aderir à paralisação não quis se identificar. Ricardo (nome fictício), cadastrado como Uber Black, diz que, com a redução de 15% na tarifa e o reajuste de 6% na gasolina, o rendimento caiu significativamente. “Perdemos muito mais do que calculávamos. Estamos praticamente pagando para dirigir.” Segundo ele, o faturamento diário era de R$ 500. “Hoje, não faço R$ 300.”

Para ele, o protesto não vai pesar no bolso da Uber, mas servirá para chamar a atenção. “Acho impossível a empresa rever os valores, até porque isso começou lá fora e ela não voltou atrás. Tentamos conversar, mas fomos ignorados, então, vamos chamar atenção da mídia e do público.”

Nelson Bazolli, presidente da Associação dos Motoristas Parceiros das Regiões Urbanas (Amparu) e um dos organizadores do ato, confirma que a correção da tarifa já foi pedida à empresa, que teria ignorado os apelos por conversa. “A relação desequilibrou por causa da questão tarifária. Com menos lucro, o motorista tem menos dinheiro para comprar, por exemplo, água e balas, ou para manter o ar-condicionado ligado. Vai cair a qualidade do serviço.”

Motorista da Uber X há dois meses, Mariana (nome fictício) entrou para a empresa para complementar a renda de comerciante, mas demonstra arrependimento. “Era para ser mais uma fonte de renda, mas está me atrapalhando.” A colaboradora diz que trabalha 17 horas diárias para receber R$ 300. “Quando entrei, ligava o aplicativo em casa e já tinha corrida. Trabalhava seis horas por dia e batia minha meta. Agora, chego a ficar uma hora esperando.”

Em nota, a empresa afirma que a estratégia de reduzir preços tem como resultado o aumento da demanda por carros. “Com isso, os motoristas parceiros farão ainda mais viagens, chegando até a ganhar mais.” Ainda de acordo com a Uber, embora tenha havido redução de tarifa, “os motoristas continuam ganhando a mesma porcentagem (80% para UberBlack e 75% para UberX) do valor pago pelos usuários”.

*As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.