Aprovação do Renda Cidadã neste ano é possível para 32% dos deputados

Pesquisa da XP Investimentos aponta que 24% dos congressistas apoiam que os recursos do programa social não sejam limitados pelo teto de gastos, e 30% são favoráveis ao uso de verbas de outros projetos

  • Por Gabriel Bosa
  • 05/10/2020 17h42 - Atualizado em 05/10/2020 17h45
Marcelo Casal Junio/Agência BrasilRelacionamento entre o presidente Jair Bolsonaro e a Câmara dos Deputados é considerado positivo por 36% dos parlamentares

A despeito dos recentes atritos entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e das polêmicas sobre a origem do financiamento do Renda Cidadã, 32% dos deputados acreditam que o projeto social idealizado para substituir o Bolsa Família será aprovado pelo Congresso ainda neste ano, aponta a pesquisa feita pela XP Investimentos com 174 dos 513 deputados de oposição e outros partidos, entre 14 e 30 de setembro, e divulgada nesta segunda-feira, 5. Caso o governo federal e os parlamentares não cheguem a um consenso, 45% dos congressistas entrevistados são favoráveis à expansão do auxílio emergencial no início de 2021, sendo que 16% dizem que o valor deve ser alterado, enquanto 19% afirmam que a transferência de R$ 300 não deve ser prorrogada. Já 55% dos entrevistados apoiam o corte do benefício pela metade para que ele seja pago até dezembro, conforme anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), enquanto 31% afirmam que ele deveria ser aumentado, e 3% dizem que o valor deveria ser revisto para baixo.

Dos que consideram possível a aprovação do Renda Cidadã até o fim de dezembro, 24% apoiam que os investimentos não sejam incluídos no teto de gastos, quanto 30% são favoráveis o uso de recursos destinados para outros projetos. A origem do financiamento é o principal entrave da iniciativa desde quando ela ainda era chamada de Renda Brasil. Na semana passada, o governo federal afirmou que usaria recursos reservados ao pagamento de precatórios e do Fundeb para patrocinar a empreitada. Posteriormente, o próprio ministro da Economia afirmou que o Renda Brasil não deveria ser financiado por um “puxadinho”. Hoje, o relator da PEC do Pacto Federativo, que inclui o Renda Cidadã, senador Márcio Bittar (MDB-AC) afirmou, ao lado de Guedes, que o texto final deve ser apresentado na manhã desta quarta-feira, 7.

Quando questionados sobre a agenda de reformas, 56% apontam a tributária como mais importante, ante 21% das mudanças propostas para a administração do serviço público. A prioridade ao envio da reforma tributária é praticamente unânime na Câmara, com 53% da preferência dos deputados da oposição, e 56% dos outros partidos. A entrega da reforma administrativa antes, no entanto, é aprovada por apenas 3% dos deputados opostos ao presidente, enquanto 27% dos demais congressistas apoiam a medida. A pouco mais de um mês para o primeiro turno das eleições municipais — que neste ano foram adiadas para 15 de novembro por conta da pandemia do novo coronavírus —, 47% dos deputados dizem que o ritmo de votação nas duas Casas já foi impactado, enquanto 18% afirmam que o pleito terá reflexos apenas a partir deste mês, e 8% a partir de novembro. Segundo o levantamento, 19% indicaram que não haverá mudança na velocidade dos debates e aprovações por conta das eleições.

O levantamento da XP Investimento também revelou que 50% dos deputados avaliam positivamente o relacionamento com o governo Bolsonaro, ante 46% na pesquisa realizada em julho e 42% no estudo de dezembro do ano passado. Na outra ponta, os que afirma que o contato com o presidente é negativo caiu para 24% em setembro, diante de 29% em julho e dezembro passado. Os que consideram regular ficou em 23% no último mês, em comparação com os registros de 25% e 26% aferidos nas edições anteriores. Já a relação do chefe do Executivo com a Câmara dos Deputados foi avaliada favoravelmente por 36% dos entrevistados, ante 33% em julho e 36% em dezembro. Os que consideram péssimo retraiu para 22%, após bater 29% em julho e 33% no fim de 2019. O relacionamento entre os poderes foi classificado como regular por 42% dos entrevistados, ante 39% e 31% das edições passadas.