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Boulos defende piso salarial a entregadores e motoristas de apps

O ministro explicou em entrevista ao 'Jornal Jovem Pan' o pacote de medidas anunciado pelo governo federal nesta terça-feira (24) para a categoria

Júlia Mano

ELEIÇÕES/2024/SP/BOULOS
O candidato a prefeito de São Paulo pelo PSOL, Guilherme Boulos, lê uma carta com compromissos para a população paulistana em um evento na manhã desta segunda- feira, 21, em frente ao Edifício Matarazzo, sede da prefeitura da cidade, no centro da capital. No documento, o deputado federal reconhece que a esquerda deixou de dialogar com uma parcela do eleitorado que busca "encontrar sua própria forma de ganhar a vida" e afirma que, se eleito, terá uma política voltada para "a periferia que quer empreender". BRUNO ESCOLASTICO/E.FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, defendeu nesta terça-feira (24) o piso salarial a motoristas e entregadores por aplicativo. Em entrevista ao Jornal Jovem Pan, o deputado federal licenciado explicou o pacote de medidas anunciado mais cedo pelo governo federal voltado à categoria.

“As plataformas jogaram a ideia de que, se o trabalhador for pago com dignidade, o serviço vai aumentar e se tornar inviável. Isso não é verdade. A gente precisa se perguntar, enquanto sociedade, se alguém que fica embaixo de chuva e sol, se arrisca, trabalha igual doido, leva comida quente para a nossa casa, às vezes sem ter comido, se essa pessoa não merece ser tratada com dignidade”, argumentou o ministro.

Sobre a remuneração, Boulos disse que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “assumiu” a demanda dos entregadores ao propor o aumento do valor mínimo pago pelas plataformas de R$ 7,50 para R$ 10. Já o adicional por quilômetro subiria de R$ 1,50 para R$ 2,50. Em documento encaminhado ao Congresso Nacional, o Planalto sugere o fim das “entregas agrupadas” feitas em um mesmo trajeto, nas quais as empresas cobram o consumidor sem fazer o repasse aos trabalhadores.

O pacote do governo federal também estipula a instalação de pontos de apoio em cidades com maior concentração de entregadores. Esses locais devem ter banheiro, vestiário, área para alimentação, descanso e conectividade gratuita.

Como iniciativa complementar ao pacote, o Ministério da Justiça e Segurança Pública editou uma portaria para as plataformas serem obrigadas a informar ao consumidor o percentual do valor pago destinado ao entregador ou motorista. Os trabalhadores e os restaurantes também terão acesso à informação. A medida entra em vigor em 30 dias, período em que as empresas terão de se adequar à norma.