Alcolumbre defende que fundo eleitoral em 2020 seja maior que em 2018

  • Por Jovem Pan
  • 18/09/2019 17h51 - Atualizado em 18/09/2019 18h02
Edilson Rodrigues/Agência Senado Segundo senador, sem um fundo com valor suficiente, aumentam-se as possibilidades de campanhas com gastos ilegais

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), defendeu nesta quarta-feira (18) que o fundo eleitoral das eleições municipais de 2020 seja maior que o de 2018. Segundo ele, sem um fundo com valor suficiente, aumentam-se as possibilidades de campanhas com gastos ilegais.

Na terça, o plenário do Senado aprovou o projeto e estabeleceu que os valores serão definidos pela Comissão Mista de Orçamento (CMO). O texto que passou na Casa abre margem para que a quantia a ser usada por partidos no ano que vem ultrapasse o montante de 2018, ou seja, R$ 1,7 bilhão.

Contradição

Ontem, Alcolumbre chegou a afirmar que “achava” que o Congresso manteria os mesmos valores. Hoje, porém, ele negou a informação. “Eu não defendo nada, eu defendo coerência porque, se os vereadores e prefeitos não tiverem o apoio do partido necessário para fazer campanha com responsabilidade, a gente acaba criando um caminho para as pessoas não trabalharem ou agirem nas suas campanhas dentro da legislação porque você não vai dar condições para ele disputar”, declarou.

Ele disse, ainda, que não houve acordo para que o valor fosse o mesmo. De acordo com ele, isso foi uma “manifestação política” feita por senadores ao votar o projeto e revelou que, em reunião de líderes partidários, se posicionou contra manter o fundo com a mesma quantidade de recursos. “Não é assim, um acordo. Há uma manifestação dos senadores em manter o orçamento que foi utilizado na eleição passada, mesmo eu me posicionando contrário em relação a isso, pessoalmente.”

Para Alcolumbre, bancar a eleição municipal em 5.570 municípios com o mesmo valor da eleição presidencial é “desproporcional”. O projeto do fundo eleitoral está de volta à Câmara.

Polêmica

Ontem, o assunto gerou repercussão nas redes sociais e de entidades ligadas à defesa da corrupção. A #NãoFundãoNão chegou aos trending topics do Twitter, com muitas críticas ao aumento do valor.

O diretor executivo do Movimento Transparência Partidária, Marcelo Issa, defendeu, no programa 3 em 1, que não haja aumento dos recursos. “As eleições para prefeitos e vereadores poderiam demandar um pouco mais de recursos por serem mais candidatos, mas o parâmetro deve ser a redução dos custos de campanha”, disse.

“Estamos vivendo um momento em que vai se consolidando um novo jeito de fazer campanhas, do nosso ponto de vista o norte deve ser a redução e em nenhuma hipótese o comprometimento de recursos que estariam destinados a políticas públicas”, completou.

* Com informações do Estadão Conteúdo