Aluguéis sobem em São Paulo; saiba quais são os bairros mais caros e mais baratos

Especialistas apontam tendência de migração de imóveis menores para maiores, e valorização das periferias dos bairros; Vila Buarque foi o local com maior alta de preço nos últimos 12 meses

  • Por Carolina Fortes
  • 30/08/2020 07h00 - Atualizado em 01/09/2020 21h34
Rafael Neddermeyer/Fotos PúblicasSegundo sondagem feita pelo Secovi-SP (Sindicato de Habitação) com 38 das maiores incorporadoras de São Paulo, o setor imobiliário atingiu 120% de sua meta para o mês de julho

Os meses de março e abril, quando iniciou a pandemia da Covid-19 no Brasil, foram marcados por retração econômica e insegurança em relação ao futuro, o que causou grande impacto no mercado imobiliário. Em julho, no entanto, o setor começou a enxergar uma retomada, e o preço médio de locação registrou elevação de 0,3% em São Paulo, segundo uma pesquisa elaborada pelo Imovelweb, levando o valor de um imóvel padrão (65m², 2 dormitórios e 1 vaga de garagem) ao patamar de R$ 1.981/mês. Se considerarmos os sete primeiros meses de 2020, o levantamento mostra que o aumento foi de 3,3%, e de 6,3% nos últimos 12 meses. “O mercado vinha de uma crise nos últimos anos que fez com que as incorporadoras segurassem os lançamentos e que os preços caíssem. Em 2020, víamos uma situação muito promissora, com o índice de lançamentos voltando a crescer e o preço a aumentar, tanto o de compra quanto o de aluguéis. Em dezembro começou a se falar em pandemia e em janeiro ainda tivemos um alta de 1,4%. Em fevereiro baixou para 0,8%, março 0,4% e em abril tivemos 0%. Ninguém foi louco de aumentar preço”, afirma Tiago Galdino, CFO do Imovelweb.

De acordo com o levantamento, se formos analisar por bairros (confira abaixo no mapa), Vila Buarque (R$ 3.336,00/mês) foi o local com maior alta no preço do aluguel, com elevação de 24,5% nos últimos 12 meses, seguido de Jardim Oriental (R$ 1.707,00/mês) e Boaçava (R$ 2.498,00/mês), que apresentaram crescimentos de 24,3% e 24,2%, respectivamente. Vila Congonhas (R$ 2.130,00/mês), Jardim das Acácias (R$ 3.282,00/mês) e Jardim Vazani (R$ 1.969,00/mês) tiveram as maiores desvalorizações neste período, com quedas de 23,1%, 22,0% e 21,2%. Em uma variação anual, os bairros mais caros para se morar na capital são Vila Cordeiro, Vila Olímpia e Itaim Bibi, com aluguéis que giram em torno dos R$ 5 mil. O primeiro teve um aumento anual no preço do aluguel de 24,1%, e os demais de 6,4%. Já no mês de julho, foi registrado 0,7% de crescimento na Vila Cordeiro, 0,6% de diminuição na Vila Olímpia, e 0,8% de queda no Itaim Bibi. Já os mais baratos são Vila Sabrina (R$ 1.041), Guaianases (R$ 1.112) e Vila Chabilândia (R$ 1.172). Em todos houve queda no valor do aluguel no último mês: 10,6%, 5,8% e 18%, respectivamente.

Na visão de Peixoto Accyoli, CEO e Presidente da RE/MAX Brasil, no início da pandemia houve uma recaída nos negócios imobiliários por conta da insegurança econômica causada pelos efeitos da Covid-19. Agora, o preço voltou a subir em uma velocidade menor do que antes, mas com mais força em regiões de médio/baixo padrão. “Provavelmente por migração da demanda para tickets menores, o que pressiona o aumento de preços, por regra básica de oferta/demanda. Após aquele choque inicial da pandemia, o pessoal ficou mais seguro e as locações voltaram ao normal e até aumentaram”, explica. Segundo sondagem feita pelo Secovi-SP (Sindicato de Habitação) com 38 das maiores incorporadoras de São Paulo, o setor imobiliário atingiu 120% de sua meta para o mês de julho.

Procura por imóveis maiores e com mais área de lazer

Accyoli destaca uma demanda maior por aluguéis na Região Oeste da cidade, onde foi observada também uma migração de imóveis menores para maiores, outra tendência observada pelos especialistas durante a pandemia. “Sentimos maior demanda por imóveis com uma área específica para home office, além de varanda grande com churrasqueira e quintal”, afirma o presidente da RE/MAX Brasil. A procura maior é por apartamentos com 3 dormitórios, ampla área de lazer e terraços gourmets, destaca o CEO da plataforma Apto, Alex Frachetta. Para ele, isso está relacionado com as mudanças ocorridas devido à pandemia da Covid-19, como o aumento do home office e o maior tempo passado em casa.

“As empresas possibilitaram que as pessoas trabalhassem em casa. Antes, elas normalmente usavam esse local somente para dormir e aos finais de semana, o que mudou com o isolamento social. A procura por conforto dentro da casa passou a ser maior.” Além do aluguel, estes fatores, junto com a redução histórica da Taxa Selic para 2%, colaboraram para uma busca maior pela também pela compra de imóveis maiores. “Muita gente vê o imóvel maior como definitivo. Um tamanho que as pessoas consideram ideal é cerca de 140m². A maioria das vezes, acham que não precisam de nada maior do que isso”, afirma Frachetta.

Para o segundo semestre de 2020, a perspectiva é que o setor continue em crescimento. Galdino diz que uma tendência esperada é a valorização e a procura por imóveis nas periferias dos bairros, como Vila Buarque, que fica um pouco mais distante de uma região antes muito valorizada, o bairro da Consolação. “As pessoas vão privilegiar o tamanho, as divisões dos apartamentos. Discussões da pandemia e que devem continuar, como o home office, vão fazer com que o urbanismo se adapte. O aspecto mais importante para os moradores de SP era logística e localização. Agora, me arrisco a dizer que o direcionamento mudou um pouco, e o mais importante passou a ser o bem-estar da pessoa, já que o lazer passou a ser na própria casa”, afirma. Já Accyoli aponta a mudança para cidades do interior e da grande São Paulo. “Isso reforça a tendência de buscar mais qualidade de vida e de uma redução de preços com um valor por metro quadrado menor comparado à capital”, finaliza.