Anistia Internacional repudia fala de Bolsonaro sobre desaparecido na Ditadura

Presidente disse nesta segunda que vítima do regime integrava grupo “sanguinário” e que “veio a desaparecer”

  • Por Jovem Pan
  • 29/07/2019 15h41
Najara Araújo/Câmara dos Deputados

A Anistia Internacional repudiou, nesta segunda (29), os comentários do presidente Jair Bolsonaro sobre Fernando Augusto de Santa Cruz Oliveira, pai do atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz. Oliveira foi morto durante a Ditadura militar. O órgão pediu que o caso seja levado à justiça.

“É terrível que o filho de um desaparecido pelo regime militar tenha que ouvir do presidente do Brasil, que deveria ser o defensor máximo do respeito e da justiça no país, declarações tão duras”, afirmou a diretora-executiva da Anistia no Brasil, Jurema Werneck. “O Brasil deve assumir sua responsabilidade, e adotar todas as medidas necessárias para que casos como esses sejam levados à justiça. O direito à memória, justiça, verdade e reparação das vítimas, sobreviventes e suas famílias deve ser defendido e promovido pelo Estado Brasileiro e seus representantes”.

Em nota, a organização informou ainda que defende a revogação da Lei de Anistia, de 1979, “eliminando os dispositivos que impedem a investigação e a sanção de graves violações de direitos humanos, a investigação e responsabilização dos crimes contra a humanidade cometidos por agentes do Estado durante o regime militar”.

Mais cedo, Bolsonaro afirmou saber como o pai de Felipe Santa Cruz, desapareceu durante a Ditadura militar. Ele ainda afirmou que contará ao atual presidente da OAB a história “um dia, se ele quiser saber”, mas se antecipou e disse que “ele não vai querer ouvir a verdade”.

“Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele. Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro”, disse.

Com Estadão Conteúdo