Após homem negro ser morto por seguranças, Carrefour diz que romperá contrato com empresa terceirizada

João Alberto, de 40 anos, foi espancado até a morte no estacionamento do supermercado no bairro Passo D’Areia, em Porto Alegre; duas pessoas foram presas e a empresa diz que iniciou ‘uma rigorosa apuração interna’

  • Por Jovem Pan
  • 20/11/2020 09h53 - Atualizado em 20/11/2020 14h30
CADU ROLIM/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Às vésperas do feriado da Consciência Negra, comemorado nesta sexta-feira, 20, uma notícia chocou as redes sociais. Um homem negro, identificado como João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, morreu após ser espancado na porta do supermercado Carrefour, no bairro Passo D’Areia, na zona norte de Porto Alegre. João Alberto teria se envolvido em uma discussão com uma funcionária do caixa e dois seguranças foram acionados. Segundo a Brigada Militar, o homem foi levado para o estacionamento e espancado. O caso ganhou repercussão na noite desta quinta e, ainda na madrugada desta sexta, a rede de supermercados se posicionou por meio de nota informando que a loja onde aconteceu o caso será fechada e a empresa responsável pela segurança terá o contrato rompido. “O Carrefour informa que adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso. Também romperá o contrato com a empresa que responde pelos seguranças que cometeram a agressão. O funcionário que estava no comando da loja no momento do incidente será desligado. Em respeito à vítima, a loja será fechada”.

Os dois seguranças foram presos pela Brigada Militar – um dos envolvidos era PM temporário. Em nota, a corporação afirmou que o PM “não estava em serviço policial, uma vez que suas atribuições são restritas, conforme a legislação, à execução de serviços internos, atividades administrativas e videomonitoramento”, mas sua conduta será igualmente avaliada “com todos os rigores da lei”. “Imediatamente após ter sido acionada para atendimento de ocorrência em supermercado da Capital, a Brigada Militar foi ao local e prendeu todos os envolvidos, inclusive o PM temporário. A Brigada Militar, como instituição dedicada à proteção e à segurança de toda a sociedade, reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos e garantias fundamentais, e seu total repúdio a quaisquer atos de violência, discriminação e racismo, intoleráveis e incompatíveis com a doutrina, missão e valores que a Instituição pratica e exige de seus profissionais em tempo integral”, diz a nota.

A nota do Carrefour que classifica a morte como “brutal” diz ainda que a empresa está em contato com a família de João Alberto “para dar o suporte necessário”. “O Carrefour lamenta profundamente o caso. Ao tomar conhecimento desde inexplicável episódio, iniciamos uma rigorosa apuração interna e, imediatamente, tomamos as providências cabíveis para que os responsáveis sejam punidos legalmente. Para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que acontece e acompanharemos os desdobramentos do caso, oferecendo todo suporte para as autoridades locais”, finaliza a nota. Testemunhas relatam que João Alberto teria pedido socorro durante as agressões. De acordo com o delegado Leandro Bodoia, que atende a ocorrência, os envolvidos e testemunhas ainda serão ouvidos e imagens das câmeras de seguranças serão analisadas.