Bebianno quer interditar Bolsonaro: ‘Não tem equilíbrio mental para comandar um país’

Ex-ministro reagiu à declaração do presidente sobre o envolvimento de pessoas próximas no atentado que sofreu

  • Por Jovem Pan
  • 20/12/2019 09h24 - Atualizado em 20/12/2019 12h09
Fátima Meira/Estadão ConteúdoPara Bebianno, a declaração do presidente mostra que ele “não tem equilíbrio mental para comandar um país”

O advogado Gustavo Bebianno, ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, disse à comentarista Thaís Oyama, da Jovem Pan, que irá trabalhar pela interdição do presidente Jair Bolsonaro na Justiça.

O presidente declarou à revista Veja suspeitar que pessoas próximas dele participaram do atentado que ele sofreu em setembro. O site O Antagonista publicou que Jair Bolsonaro aparentemente se referiu a Bebianno.

Para o ex-ministro, a declaração do presidente mostra que ele “não tem equilíbrio mental para comandar um país”. “Alguém que cogita uma coisa dessas e diz isso publicamente pode facilmente nos jogar numa guerra, por exemplo”, disse Bebianno.

Entenda

Em entrevista, publicada na revista Veja nesta sexta-feira (30), Bolsonaro declarou que nunca se recuperou do atentado que sofreu no dia 6 de setembro de 2018, durante a campanha eleitoral, quando levou uma facada do ex-garçom Adélio Bispo dos Santos de Oliveira. O presidente contou que teme um novo ataque e que, por isso, dorme com uma pistola carregada próxima de si.

Segundo Bolsonaro, o medo não vem apenas do trauma: ele acredita que Adélio não foi o único responsável por tentar matá-lo e que “houve uma conspiração”. Mesmo sem provas, o agora chefe do Executivo diz que o ataque está ligado, também, a uma figura da sua campanha, que teria planejado matá-lo por não ter sido escolhido como vice-presidente.

“O meu sentimento é que esse atentado teve a mão de 70% da esquerda, 20% de quem estava do meu lado e 10% de outros interesses. Tinha uma pessoa do meu lado que queria ser vice. O cara detonava todas as pessoas com quem eu conversava. Liguei para convidar o Mourão às 5 da manhã do dia em que terminava o prazo de inscrição. Se ele não tivesse atendido, o vice seria essa pessoa. Depois disso, eu passei a valer alguns milhões deitado”, declarou.