Bolsonaro confirma indicação de Kassio Nunes a vaga no STF

Desembargador deve substituir o ministro Celso de Mello, que se aposenta no dia 13; nome gerou polêmica entre apoiadores do presidente, que acusaram o jurista de ‘comunista’

  • Por Jovem Pan
  • 01/10/2020 20h17 - Atualizado em 01/10/2020 21h46
Ramon Pereira/Ascom-TRF-1Kássio Nunes Marques é vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Federal (TRF-1)

O presidente Jair Bolsonaro confirmou na noite desta quinta-feira, 1º, durante transmissão ao vivo nas redes sociais, a indicação do nome do desembargador Kássio Nunes Marques, vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Federal (TRF-1), para a vaga do ministro Celso de Mello no Supremo Tribunal Federal (STF). A publicação será feita no Diário Oficial da União desta sexta-feira, 2, e precisará ser aprovada pelo Senado. A especulação de que Nunes seria indicado gerou críticas de apoiadores do presidente e seguidores do filósofo Olavo de Carvalho, que o acusaram de ser próximo do Partido dos Trabalhadores (PT). “Qualquer um que eu indicasse levaria críticas. Tinham 10 currículos na minha mesa, alguns excelentes, mas que eu nunca tinha conversado. Não vou colocar alguém só por causa do currículo. O que é lamentável é que de 10 escolhemos um, e metade começa a atirar no cara, o acusar de comunista, socialista, ligado ao PT… Todo mundo aqui, ao longo de 14 anos de PT, teve alguma ligação, mas não é por isso que é comunista ou socialista”, defendeu Bolsonaro.

Em 2015, o desembargador votou para suspender a decisão de primeira instância que determinava a deportação do terrorista italiano Cesare Battisti, que vivia no Brasil protegido por uma decisão de Luiz Inácio Lula da Silva. Outra polêmica residiu no fato de Nunes ter sido o responsável pela decisão que liberou a licitação do STF que previa a compra de itens considerados de luxo, como lagosta e vinhos premiados. “Ele votou a limitar que permitiu comprar lagosta. Conversei com ele sobre a liminar, mas vão desqualificar só porque deu uma liminar para retornar o cardápio do Supremo?”, questionou Bolsonaro. “Sobre o Battisti, o pessoal fala palavrões e julga pessoas sérias. Ele está pesquisando a participação dele nesse caso, mas quem decidiu Barristi ficar no Brasil foi o STF. Falam que ele [Nunes] é desarmamentista, nada a ver. É católico, é família, tenho certeza que vocês vão gostar dele no STF. Mas quem indica não sou eu, é o Senado”, continuou o presidente.

Bolsonaro garantiu, ainda, que a segunda vaga, que abrirá em 2021, será um nome evangélico. No ano passado, o presidente prometeu indicar um jurista conservador e “terrivelmente evangélico”. “O primeiro pré-requisito para o ano que vem é ser evangélico e tomar Itubaína comigo. Não adianta ser indicado por 10 pessoas, mas nunca ter conversado comigo. Porque evangélico? Porque tenho um tremendo respeito pelos evangélicos, mas não basta só ser evangélico, tem que andar no Senado, no Congresso. Quero que seja alguém que vote de acordo com o interesse dos conservadores, mas quero que consiga aprovar alguma coisa”, disse.

O mandatário garantiu, também, que o nome do ministro da Justiça e Segurança Pública, um dos mais cotados, continua na disputa. “Teve um nome muito cogitado como ‘supremável’, nosso querido André Mendonça. Não está descartado não, está na fita, Jorge [Oliveira] está na fita, estou falando porque são nomes que estão mais próximos a mim, mas tem mais gente que está na fita”, disse. Ele lembrou ainda que, no início deste ano, os apoiadores pediam que Bolsonaro indicasse Sergio Moro. “Vocês querem que eu troque o Kassio pelo Sergio Moro? Acham que ele vai ser um ministro leal a nossas causas? Será que seria aprovado no Senado?”, questionou.

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