Bolsonaro diz que vai enviar projeto à Câmara para ampliar atividades essenciais

Em discurso para apoiadores no Palácio da Alvorada, o presidente afirmou que ‘atividade essencial é toda aquela necessária para o chefe de família levar o pão para casa’

  • Por Jovem Pan
  • 06/03/2021 11h54
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDOJair Bolsonaro em direção a apoiadores na entrada do Palácio da Alvorada, em Brasília

Em mais uma investida para enfraquecer as medidas de isolamento adotadas por governadores e prefeitos em meio ao colapso do sistema de saúde no auge da pandemia da Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse nesta sexta-feira, 05, que mandou preparar um projeto de lei para enviar ao Congresso e ampliar a lista de atividades essenciais. “Essa história do ‘ficar em casa’, para quem tem dinheiro, tudo bem. O pessoal muitas vezes trabalha hoje para comer amanhã, ou comer à noite. Eu falei ontem o que é atividade essencial. Mandei preparar um projeto nesse sentido”, disse Bolsonaro a apoiadores, ao chegar ao Palácio da Alvorada. As atividades essenciais não podem ser interrompidas durante o Lockdown. Segundo o presidente, caberá à Câmara dos Deputados definir a lista de atividades essenciais.

“A Câmara é quem vai decidir. Atividade essencial é toda aquela necessária para o chefe de família levar o pão para casa. Por que o cara que é encanador, por exemplo, não é essencial? Ele vai levar o que pra casa?”, perguntou. No ano passado, por meio de decreto, Bolsonaro incluiu várias atividades no rol de serviços essenciais – inclusive salões de beleza, barbearias e academias. Na quinta-feira, 04, Bolsonaro já havia sinalizado essa intenção por meio das redes sociais e aos apoiadores que o aguardavam no Alvorada no fim do dia. “Aprenderam a definição de trabalho essencial? Já chegou aqui ou não?”, questionou. O chefe do Executivo se referia a um post publicado por ele mais cedo, nas redes sociais, no qual dizia que “atividade essencial é toda aquela necessária para um chefe de família levar o pão para dentro de casa”.

Ao falar sobre a possibilidade de que governadores comprem vacinas diretamente dos laboratórios, sem intermediação do governo federal, Bolsonaro disse não haver problema, desde que os próprios Estados paguem. “Mas quem vai pagar a conta? Eu? Não. Se quiserem comprar, podem comprar, mas a vacina vem para o Plano Nacional de Imunização. Ninguém está contra governador não, mas estamos fazendo contato com o mundo todo.” Bolsonaro disse, ainda, que o governo não tem capacidade para pagar auxílio emergencial para sempre à população. “Auxílio emergencial é endividamento do Estado, não tem como. Alguns acham que pode dar a vida toda. Não dá”, argumentou ele. Na conversa com os apoiadores, o presidente admitiu que os novos valores médios, em torno de R$ 250, são pouco, quando comparados aos pagos no ano passado, de R$ 600. “É pouco? Eu preferia ter isso aí do que não ter nada”, disse.

*Com informações do Estadão Conteúdo