Bolsonaro minimiza honrarias de Flávio a milicianos: ‘Ele já deu mais de 300 condecorações’

  • Por Jovem Pan
  • 25/01/2019 10h42 - Atualizado em 25/01/2019 11h01
Agência EFEO presidente concedeu entrevista à jornalista Lally Weymouth, editora-sênior do jornal norte-americano "The Washignton Post"

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que as acusações feitas contra seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), partem de “pessoas que querem criticar sua administração”. A declaração foi dada em entrevista a Lally Weymouth, editora-sênior do jornal norte-americano The Washignton Post.

Questionado pela jornalista sobre a suposta ligação entre Flávio e membros de milícia no Rio de Janeiro, Bolsonaro disse que “esse não é um problema de governo ou federal — nem mesmo da sua conta”, mas que mesmo assim responderia o que pensa a respeito. “Meu filho sempre trabalhou no serviço militar do Rio de Janeiro e concedeu mais de 300 diferentes condecorações e títulos de honra aos membros das Forças Armadas que lutaram em combate”, explicou. “Agora, dois deles estão sendo acusados de irregularidades. Com certeza, a pessoa que concedeu a condecoração não pode ser culpada”, continuou.

O presidente voltou a afirmar que “se alguma prova viável vier contra o filho, ele será punido como qualquer outro e cumprirá sua pena”. Bolsonaro já havia afirmado que, se Flávio errou, “terá que pagar”.

Na última terça-feira (22), Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), confirmou que o ex-deputado estadual e senador eleito empregou em seu gabinete a mãe e a mulher do ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM Adriano Magalhães da Nóbrega.

Ele é acusado de comandar uma das principais milícias do estado, em Rio das Pedras, comunidade da Zona Oeste. Por meio de nota, Flávio afirmou que a indicação foi uma sugestão de Queiroz.

Nóbrega e o major da PM Ronald Paulo Alves Pereria, que também chefiaria a milícia ao lado do ex-capitão do Bope, foram homenageados por Flávio em 2003 e 2004. Eles receberam, respectivamente, a Medalha Tiradentes, considerada a maior honraria do estado, e menção honrosa.

Reforma da Previdência: ‘Não temos alternativa’

A respeito da reforma da Previdência, Bolsonaro disse que, se a reforma não passar, “entraremos num colapso econômico”. “Não temos alternativa”, afirmou, perguntado sobre se é certa a aprovação da proposta no Congresso.

Venezuela: ‘Precisa mudar’

Ainda na entrevista, o presidente disse que sempre foi contra o regime do ditador venezuelano Nicolás Maduro. “Principalmente porque ele é ligado aos ex-presidentes Lula e Dilma e a Cuba.”

Questionado sobre qual a melhor forma de resolver o problema no país, Bolsonaro disse que “é claro” que é preciso tirar Maduro do poder. “Deve ter uns 70 mil cubanos ao lado dele, então não será fácil tirá-lo” do posto.

Segundo o presidente, o serviço de inteligência brasileiro identificou que “há um nível substancial de insatisfação entre os membros do Exército da Venezuela”. “O ex-presidente Hugo Chávez, no passado, cooptou o Exército. Mas as forças armadas têm dado sinais de que eles não são tão integrados quanto antes.”

Em relação à intervenção de seu governo na crise venezuelana, o presidente disse que “não vai embarcar numa intervenção militar”. “Não temos histórico de busca de intervenção militar para resolver problemas”, afirmou.

Bolsonaro disse, ainda, que o Brasil tem recebido e acomodado os venezuelanos que fogem de seu país. “Nós temos realocado essas pessoas e as assistido com essa transição.”

Estados Unidos: Planos para março

A jornalista Lally Weymouth relembrou que Bolsonaro é conhecido como o “Trump dos trópicos” e questionou se ele admira o presidente norte-americano. O brasileiro respondeu que sim, principalmente porque ele está tentando “fazer a América boa de novo” — o bordão de campanha de Trump, em 2016. “Nós também queremos ter um ótimo Brasil”, disse Bolsonaro. Afirmou em seguida que tem planos para visitar os EUA em março.

LGBTI e mulheres

Jair Bolsonaro foi questionado pelo The Washington Post a respeito de suas declarações passadas sobre a comunidade LGBTI e mulheres. Ele respondeu com outra pergunta: “Se tudo isso fosse verdade [das declarações], como seria possível eu vencer a eleição, gastando menos de R$ 1 milhão na campanha?”.

Quando a jornalista relembrou que ele havia afirmado que preferia ter um “filho morto a ter um filho gay”, Bolsonaro disse que esse é “um fato novo” sobre ele. “Nunca tinha ouvido falar isso antes”.

Ele aproveitou a oportunidade para criticar a mídia brasileira. “Você realmente acredita na mídia impressa? Você realmente acredita nisso cegamente?”, perguntou para a repórter, e depois emendou: “Não estou colocando nenhuma dúvida sobre a sua mídia. Mas, no Brasil, eles são todos um e o mesmo – os jornais”, disse.

Sobre o fato de ter falado que ter uma filha foi uma “fraquejada”, Bolsonaro respondeu que esse foi um “comentário de brincadeira”. “É muito comum expressar comentários brincalhões”, disse.