Bolsonaro: PF ‘sempre dificultou’ acesso a informações legais

  • Por Jovem Pan
  • 27/04/2020 17h57
EFE/Joédson AlvesPresidente da República, Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro compartilhou uma publicação nas redes sociais nesta segunda-feira (27) em que afirmou que a Polícia Federal é “parte do Sistema Brasileiro de Inteligência, que alimenta com informações o Presidente da República para tomada de decisões estratégicas”. Este processo, segundo ele, “sempre foi dificultado” em seu governo.

“A Polícia Federal, for força da Lei 9.883/1999 e Decretos 4.386/2002 e 9.881/2019, é parte do Sistema Brasileiro de Inteligência, que alimenta com informações o Presidente da República para tomada de decisões estratégicas”, escreveu.

“Uma coisa é pedir informações sobre inquéritos sigilosos em curso (o que nunca houve) e outra coisa ter acesso a conhecimento de inteligência produzido nos termos da Lei (o que sempre me foi dificultado)”, completou.

A polêmica sobre uma suposta interferência do presidente na Polícia Federal surgiu na última sexta-feira (24), quando o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro afirmou que deixou o governo “para defender a autonomia da PF”. Em entrevista coletiva, em Brasília, o ex-juiz federal disse que a exoneração de Maurício Valeixo da diretoria-geral da corporação foi uma interferência política de Jair Bolsonaro.

“Falei ao presidente que seria uma interferência política e ele disse que seria mesmo”, relatou Moro sobre a conversa com Bolsonaro em relação à troca de Valeixo. “O problema não é a questão de quem colocar, é por que trocar e permitir a interferência política na Polícia Federal”, continuou.

Segundo Moro, o presidente Jair Bolsonaro queria que Valeixo fosse substituído por alguém da confiança dele e de quem fosse próximo. “O presidente me disse mais de uma vez que queria uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse ligar, colher informações e relatórios de inteligência”, explicou. “Não é o papel da Polícia Federal prestar esse tipo de informação”, defendeu o ex-ministro, citando que nem os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, investigados pela Lava Jato, fizeram isso.

Desde então, Bolsonaro tem negado as acusações feitas por Moro.