Brasil tem primeiro caso no mundo de reinfecção da Covid-19 com mutação da África do Sul

Mulher de 45 anos é de Salvador, na Bahia, e se infectou duas vezes: em maio e outubro de 2020

  • Por Jovem Pan
  • 08/01/2021 11h19 - Atualizado em 08/01/2021 14h57
EFEPara pesquisador, descoberta serve de alerta e reforça a necessidade manutenção das medidas de controle da pandemia

O Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) identificou o primeiro caso no mundo de reinfecção por Covid-19 com a mutação E484K, da África do Sul, no Estado da Bahia. A paciente é uma mulher de 45 anos, sem comorbidades, de Salvador, e que teve a primeira infecção em 20 de maio e a segunda em 26 de outubro. Os dois diagnósticos foram feitos pelo RT-PCR. Depois da segunda infecção, ela passou por um teste de IGg que confirmou a presença de anticorpos. A descoberta já foi publicada em versão preprint e aguarda revisão por pares na revista The Lancet.

De acordo com o pesquisador do IDOR à frente do estudo, Bruno Solano, trata-se também do primeiro caso de reinfecção por SARS-CoV-2 na Bahia confirmado por sequenciamento. “Foi observada, na sequência genética do vírus presente no segundo episódio, a mutação E484K, que é uma mutação identificada originalmente na África do Sul e tem causado muita preocupação no meio médico, pois ela pode dificultar a ação de anticorpos contra o vírus. Esta mutação foi recentemente identificada no Rio de Janeiro, mas é a primeira vez, em todo o mundo, em que é associada a uma reinfecção.” A descoberta aconteceu na unidade regional do Instituto, no Hospital São Rafael.

Para Bruno Solano, a descoberta serve de alerta e reforça a necessidade manutenção das medidas de controle da pandemia, como distanciamento social e a necessidade de acelerar o processo de vacinação na tentativa de reduzir a circulação dessa e outras linhagens. “Ao acumular mutações, [essas outras linhagens] podem vir a se tornar mais infectantes inclusive para indivíduos que já tiveram a doença.” A mutação E484K integra um grupo de variantes da Covid-19 que foram associadas a uma potencialidade de infecção mais alta, assim como a do Reino Unido. Os pesquisadores desta descoberta contaram com a colaboração de profissionais da UFMG e da Fiocruz e seguem investigando outros possíveis casos suspeitos de reinfecção.

A informação foi confirmada pela Secretaria de Saúde da Bahia nesta sexta-feira, 8. O órgão informou que foi notificado em 22 de dezembro de 2020 pelo Hospital São Rafael sobre o caso suspeito de reinfecção. As conclusões obtidas é que as duas amostras de anticorpos da mulher “agrupam-se em dois lados distintos e pertencem a duas sublinhagens diferentes”, ou seja, apresentam um perfil de mutações distintas. Outros 118 casos suspeitos de reinfecção estão sendo investigados na Bahia em pacientes com faixas etárias de cinco a mais de 80 anos. Deste total, há 82 notificações para o sexo feminino e 36 para o sexo masculino.