Brumadinho: o que se sabe até agora sobre a tragédia

  • Por Jovem Pan
  • 28/01/2019 10h56 - Atualizado em 29/01/2019 20h38
EFE

O rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, completa cinco dias nesta terça (29). Cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos da represa desceram sobre a região, atingindo, além da própria área administrativa da barragem, o Córrego do Feijão, casas, propriedades rurais e o rio Paraopeba, um dos afluentes do São Francisco.

A barragem pertence à Vale, mineradora que também esteve envolvida no desastre de Mariana, em 2016. Na ocasião, cerca de 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos da barragem de Fundão desceram sobre o Rio Doce, matando 19 pessoas.

Saiba mais sobre a tragédia de Brumadinho:

Vítimas

São 84 os mortos encontrados na lama de rejeitos, 42 deles já identificados pelo Instituto Médico Legal (IML). Outras 276  pessoas ainda estão desaparecidas, segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais. 192 foram resgatadas.

Operações de Resgate

Equipes dos Bombeiros e da Defesa Civil de Minas trabalham no local na tentativa de encontrar sobreviventes e retirar corpos da lama. As buscas haviam sido interrompidas no domingo (27), com o receio de que outra barragem da região se rompesse, o que mais tarde foi descartado pelo comando da operação.

Na manhã de segunda (28), 132 militares de Israel desembarcaram em Belo Horizonte para auxiliar nas buscas. A equipe de soldados possui equipamentos especializados para resgates em desastres naturais, como detectores de sinais sonoros, radares, câmeras, drones e máquinas hidráulicas. A ajuda foi oferecida pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Bolsonaro

No sábado, 26, o presidente Jair Bolsonaro sobrevoou a área atingida pelo rompimento. Ele ainda anunciou a criação de um comitê envolvendo ministérios, a Defesa Civil, o Governo de Minas Gerais, o Ministério Público e outros órgãos para acompanhar as ações na região.

“Difícil ficar diante de todo esse cenário e não se emocionar. Faremos o que estiver ao nosso alcance para atender as vítimas, minimizar danos, apurar os fatos, cobrar justiça e prevenir novas tragédias como a de Mariana e Brumadinho, para o bem dos brasileiros e do meio ambiente”, disse Bolsonaro em seu Twitter.

Vale

A Justiça já bloqueou R$11 bilhões de reais do caixa da Vale desde sexta-feira. Do valor, R$6 bilhões serão destinados às vítimas da tragédia e R$5 bilhões servirão para a adoção de medidas emergenciais de reparação do dano ambiental. As ações foram movidas pelo Ministério Público e pelo governo de Minas.

O presidente da empresa, Fabio Schvartsman, esteve na região do rompimento no domingo (27) e voltou a lamentar o ocorrido. “Impossível vir aqui e não ficar emocionado com a tristeza da situação e o esforço sobre-humano de todos para tentar ajudar”.

Na terça, ele apresentou um plano de ação da companhia, em coletiva de imprensa. Schvartsman anunciou que a mineradora fechará 10 barragens de Minas Gerais que possuem características iguais às de Mariana e Brumadinho. “Todas elas já estão desativadas, nenhuma está em operação. Elas serão devolvidas à natureza. Deixarão de ser barragens. Serão ou esvaziadas ou integradas ao meio-ambiente”, explicou. “É um plano definitivo, drástico, para não deixar dúvida de que todo o sistema da Vale está absolutamente seguro”, completou.

De acordo com o presidente, esse plano – que levará de 1 a 3 anos para ser concluído – já foi apresentado ao governador Romeu Zema. Para colocá-lo em prática, a companhia terá que “paralisar as operações de mineração em todos os sites que estão nas proximidades dessas barragens”. Isso pode causar, segundo os cálculos iniciais, um impacto produtivo de 40 milhões de toneladas/ano de minério de ferro.

Ministro do Meio Ambiente

Em entrevista exclusiva ao Jornal da Manhã desta segunda (28), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, lembrou que “segurança da barragem não é tema do Ministério, e sim do Ibama”. Ele também negou que a pasta tenha a intenção de flexibilizar processos de licenciamento ambiental para barragens de mineração, afirmando que a burocracia do setor atrapalha a fiscalização.

“Hoje os órgãos ambientais estão abarrotados de análises de licenciamento com menor relevância, quando a regra básica de administração é priorizar o médio e alto impacto. O corpo técnico acaba dispersando energia em temas que não são relvantes em vez de se dedicar com mais afinco aos mais relevantes e que exigem mais aprofundamento”, criticou Salles.