Em carta, patroa pede perdão à mãe de menino que caiu de prédio; leia

  • Por Jovem Pan
  • 06/06/2020 11h16 - Atualizado em 06/06/2020 11h16
BRUNO TENORIO SILVA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO"Como mãe, sou absolutamente solidária ao seu sofrimento", disse patroa à empregada doméstica

A primeira-dama do município de Tamandaré (PE), Sarí Corte Real, divulgou uma carta nesta sexta-feira (5) em que pede desculpas à empregada doméstica Mirtes Renata, mãe de Miguel Otávio Santana, menino de 5 anos que morreu após cair do nono andar de um prédio, em condomínio no bairro de São José, no Recife, na última terça (2).

Mirtes Renata havia saído para passear com o cachorro da família e deixado a criança aos cuidados de Sari. No período, o menino pegou o elevador sozinho e caiu do edifício. A Polícia Civil investiga a primeira-dama por homicídio culposo.

A carta foi divulgada pelo advogado de Sarí e enviada à imprensa pela assessoria de comunicação de Tamandaré. “Sou absolutamente solidária ao seu sofrimento. Te peço perdão”, diz Sarí, no texto. “Não tenho o direito de falar em dor, mas esse pesar, ainda que de forma incomparável, me acompanhará também pelo resto da vida”, completa.

Crime de responsabilidade

Mirtes Renata de Souza está cadastrada no Portal de Transparência de Tamandaré, desde 1 º de fevereiro de 2017, como servidora pública da prefeitura. Consta que a funcionária exercia cargo comissionado de gerente de divisão, locada na Manutenção das Atividades de Administração da cidade. O pagamento seria equivalente a um salário mínimo. Mirtes disse que não sabia do cargo e trabalhava apenas na casa dos patrões.

O uso da máquina pública para fins pessoais também começa a ganhar destaque no caso, e o prefeito, Sério Hacker, pode responder por crime de responsabilidade. O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco já informou que vai instaurar auditoria especial.

Leia a carta na íntegra:

Carta a Mirtes

Como mãe, sou absolutamente solidária ao seu sofrimento. Miguel é e sempre será um anjo na sua vida e na sua família. Não há palavras para descrever o sofrimento dessa perda irreparável. Nunca, mas nunca mesmo, pude imaginar que qualquer mal pudesse acontecer a Miguel, muito menos a tragédia que se sucedeu. Te peço perdão. Não tenho o direito de falar em dor, mas esse pesar, ainda que de forma incomparável, me acompanhará também pelo resto da vida. Estou sendo condenada pela opinião pública como historicamente outros foram. As redes sociais potencializam o ódio das pessoas. Tenho certeza que a Justiça esclarecerá a verdade. Na nossa casa sempre sobrou carinho e amor por você, Miguel e Martinha. E assim permanecerá eternamente. Rezo muito para que Deus possa amenizar o seu sofrimento e confortar seu coração.

Sarí Gaspar

*Com Estadão Conteúdo