CEO da Enel diz que só ‘Jesus Cristo’ pode resolver apagões em SP
Flavio Cattaneo explicou que a infraestrutura aérea da rede dificulta controle para evitar blackouts
O CEO do grupo Enel, Flavio Cattaneo, participou do “Enel Capital Markets Day 2026”, evento que aconteceu em Milão, na Itália, nesta segunda-feira (23). Em seu discurso na coletiva de imprensa, o CEO disse que apenas “Jesus Cristo poderia resolver” referindo-se aos casos recorrentes de apagões em São Paulo.
O evento busca apresentar ao mercado as novas ideias e propostas da companhia para os próximos anos. Cattaneo aproveitou para explicar sobre a infraestrutura elétrica da cidade paulistana. Segundo ele, São Paulo tem a rede – quase em sua maioria – aérea, portanto exposta à chuva e arborização, o que dificulta o controle para evitar os blackouts.
Cattaneo, porém, mostrou-se disposto a abrir uma discussão sobre a solução do problema com um eventual aterramento de cabos. O que pode levar mais do que o esperado, pois envolve a liberação do dinheiro para o investimento.
O CEO finalizou o assunto ao dizer que recuperou em 50% o serviço de liberação e aprovação da empresa, afirmando que é preciso uma resolução estrutural para São Paulo.
Outros investimentos e estratégias
O grupo estatal pretende investir cerca de 53 bilhões de euros (63 bilhões de dólares) de 2026 a 2028. Metade do valor será aplicado a redes elétricas e aproximadamente 38% a energias renováveis.
Em sua estratégia anterior de três anos, a Enel tinha planejado investir um capital de 43 bilhões de euros, sendo 60% voltado ao negócio regulamentado de redes elétricas e 28% a projetos de energia verde.
A Enel está interessada em adquirir ativos de energia renovável nos EUA, afirmou Cattaneo, acrescentando que o desenvolvimento da inteligência artificial (IA) deve aumentar a demanda por energia na América do Norte. “Planejamos concentrar nossas fusões e aquisições em ativos já existentes”, disse, pensando nas usinas já em funcionamento ou aprovadas.
A empresa também espera um impacto negativo no lucro líquido do grupo, previsto em uma média de 300 a 400 milhões de euros por ano no período de 2026 a 2028. Já o lucro por ação deve aumentar para 0,80-0,82 euros em 2028, em comparação com os 0,69 euros previstos para 2025.


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