Após 30 anos, Collor pede perdão por confisco da poupança: ‘Errei’

  • Por Jovem Pan
  • 18/05/2020 14h52 - Atualizado em 18/05/2020 15h10
Antônio Cruz/EBC/Fotos PúblicasHoje senador por Alagoas, Collor foi o primeiro presidente do Brasil a sofrer um impeachment

Depois de 30 anos, o senador Fernando Collor de Mello (AL-PROS) pediu desculpas pelo bloqueio da poupança instituído em 1989, quando foi presidente do Brasil. Na época, para tentar conter a crise econômica no País, ele instituiu o Plano Collor e confiscou depósitos bancários que ultrapassassem a quantia de 50 mil cruzeiros.

“Peço perdão a todas aquelas pessoas que foram prejudicadas pelo bloqueio dos ativos. Eu e a minha equipe não víamos alternativa viável naquele início de 1990. Quisemos muito acertar. Nosso objetivo sempre foi o bem do Brasil e dos brasileiros”, escreveu o senador em suas redes sociais nesta segunda-feira (18).

O intuito era controlar a inflação, mas o plano não foi bem-sucedido e houve fechamento de empresas e aumento do desemprego. A medida também foi um dos principais motivos do pedido de impeachment do então presidente.

“Pessoal, entendo que é chegado o momento de falar aqui, com ainda mais clareza, de um assunto delicado e importante: o bloqueio dos ativos no começo do meu governo. Quando assumi o governo, o país enfrentava imensa desorganização econômica, por causa da hiperinflação: 80% ao mês!”, escreveu o senador.

Collor continuou a explicação citando os mais pobres, que segundo ele “eram os maiores prejudicados e perdiam seu poder de compra em questão de dias”, além dos brasileiros que estavam “morrendo de fome”.

O ex-presidente afirmou, então, que “durante a preparação das medidas iniciais” do seu governo, “tomou conhecimento de um plano economicamente viável, mas politicamente sensível, com grandes chances de êxito no combate à inflação”.

“Era uma decisão dificílima. Mas resolvi assumir o risco. Sabia que arriscava ali perder a minha popularidade e até mesmo a Presidência, mas eliminar a hiperinflação era o objetivo central do meu governo e também do País”, escreveu. No entanto, admitiu que, apesar de ter acredito que aquelas medidas fossem o caminho certo, errou.

Impeachment

Fernando Collor foi o primeiro presidente a sofrer impeachment no Brasil, três anos após vencer Luiz Inácio Lula da Silva e assumir o cargo. Além das medidas impopulares que realizou, como o bloqueio de ativos, seu irmão Pedro Collor revelou publicamente provas do seu envolvimento num caso de desvio de dinheiro.

O crime consistia em usar a campanha eleitoral de Collor como caixa 2. Assim, muito dinheiro foi desviado das verbas públicas através de criação de empresas fantasmas e contas no exterior. O esquema contou com a participação do então tesoureiro do governo, Paulo César Farias, o PC Farias.