Com 695 mortos, Uip diz que SP ‘caminha para momento muito complicado’

De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, São Paulo tem mais de 9,3 mil casos confirmados. O médico David Uip voltou a defender a importância do isolamento social

  • Por Jovem Pan
  • 14/04/2020 16h41 - Atualizado em 14/04/2020 19h57
DANILO M YOSHIOKA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOJosé Henrique Germann, secretário da Saúde, e David Uip, coordenador do centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo

O médico e coordenador do centro de contingência do coronavírus do governo de São Paulo, David Uip, disse nesta terça-feira (14), durante coletiva de imprensa, que São Paulo “caminha para momento muito complicado” diante do avanço dos casos de Covid-19.

Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, atualmente São Paulo tem 695 mortes por Covid-19 e mais de 9,3 mil casos confirmados.

Para Uip, a única alternativa neste momento é o isolamento social. “É absolutamente fundamental que se entenda a importância do isolamento social, que é a única forma de não colocar o sistema de saúde à prova do jeito que está. A única solução é que as pessoas não saiam para rua”, disse.

Uip ainda afirmou que o estado não atingiu o pico da pandemia de coronavírus, previsto para acontecer nas próximas semanas, e voltou a defender uma taxa de isolamento social de 70%. “Quanto mais fizermos isso, mais vamos achatar a curva”, disse.

Ele ainda explicou que a sobrecarga no sistema de saúde – tanto particular como público – acontece devido ao período que o paciente infectado com coronavírus passa nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI).

“O número de dias que os pacientes ficam internados em ambientes de UTI não é inferior a 14. Não existe o movimento de entra e sai justamente porque ele precisa de assistência ventilatória”, ressaltou.

Uip e o secretario estadual de Saúde, José Henrique Germann, falaram ainda que saída de profissionais de Saúde que atuam linha de frente de combate ao vírus também sobrecarrega o sistema. “Outra variável importante são os profissionais da área de Saúde que adoecem. Mesmo equipados com EPIs acabam se infectando e saem da linha de frente por 14 dias”, explicou Uip.

Sobre os leitos de UTI disponíveis no estado, Uip ressaltou que o número varia diariamente. Um “censo de leitos” diário é respondido pelos hospitais de São Paulo que atualizam os números de ocupados e disponíveis junto à secretaria de Saúde. De acordo com as informações, o estado tem uma ocupação média de 50% dos leitos.

Ainda durante a coletiva de imprensa foi relatado o nascimento de um bebê de uma paciente com Covid-19, que está internada em estado grave. O parto foi feito no leito da UTI e trouxe “um pingo de luz” ao local, relataram os médicos.