Comandante da PM do RJ chama morte de Ágatha de ‘fato isolado’

Secretário de Polícia Civil defendeu que morte da criança não pode ser associada à política de segurança pública do Estado

  • Por Jovem Pan
  • 23/09/2019 16h36
Érica Martins/Estadão ConteúdoO delegado e o secretário participaram de coletiva de imprensa na tarde desta segunda-feira junto do governador do Rio, Wilson Witzel (PSC)

O comandante da Polícia Militar, Rogério Figueredo afirmou, nesta segunda-feira (23), que a morte da menina Ágatha, de 8 anos, atingida por uma bala perdida na Fazendinha, no Complexo do Alemão, foi “um fato isolado”. Segundo ele, “no dia do evento não ocorria operação policial” na região, apenas um “policiamento que já faz parte daquele terreno”.

De acordo com relatos de moradores pelas redes sociais, o tiro que atingiu a menina teria sido disparado por militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), que dispararam contra ocupantes de uma motocicleta em fuga. A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMRJ) mantém a versão de que os agentes revidaram a uma agressão de criminosos “quando foram atacados de várias localidades da comunidade de forma simultânea”.

Figueredo destacou que a apuração do fato irá determinar as circunstâncias da ação. O comandante garantiu que a PM continuará fazendo o seu trabalho que é “enfrentar a criminalidade que assola o Rio de Janeiro”. “A Polícia Militar trabalha com prevenção, não busca o confronto e atua de forma preventiva”, afirmou.

Secretário defende política de segurança pública

Já o secretário de Polícia Civil, delegado Marcos Vinicius destacou o trabalho da polícia na investigação dos crimes no Estado e defendeu que a morte da criança não pode ser associada à política de segurança pública do Rio de Janeiro.

“A independência da DH não veio de agora. A Delegacia de Homicídio não vai investigar a política de segurança do Estado porque essa está muito bem. Por isso, reduzimos os números de homicídios e de roubo de cargas.”

Ele justificou que “a polícia sabe onde aplicar os seus recursos” e chamou de “guerreiros” as pessoas que trabalham na corporação. “O RJ está com uma política de segurança pública forte, como nunca existiu. Não podemos misturar as coisas. Não é verdade que a política de segurança pública está causando essas mortes, estamos diminuindo. Não podemos tratar nossos policiais como monstros, o trabalho está sendo muito bem feito”, afirmou.

Segundo balanço divulgado recentemente pelo governo, os homicídios dolosos diminuíram 21%, com 744 mortes a menos nos primeiros oito meses do ano, menor índice para o período desde 2013. Entretanto, um dado apresentado na última quinta-feira pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) apresentou uma alta de 16,2% nas mortes por intervenção de agentes do Estado em relação aos oito primeiros meses de 2018, uma média de cinco por dia.

O delegado e o secretário participaram de coletiva de imprensa na tarde desta segunda-feira junto do governador do Rio, Wilson Witzel (PSC).