‘Combate à violência contra a mulher nunca foi prioridade de nenhum governo’, diz promotora
Nesta segunda-feira, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a temática da violência contra a mulher protagonizou os debates no Morning Show, da Jovem Pan. Em entrevista ao programa, a promotora de justiça Gabriela Manssur revelou as principais dificuldades do enfrentamento desta problemática no Brasil, como a falta de conscientização e ausência de políticas públicas. “A questão da violência contra a mulher nunca foi prioridade de nenhum governo federal. No entanto, embora eu não concorde com alguns posicionamentos do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, vejo um grande esforço da ministra Damares Alves para se aproximar do sistema de justiça, abrir as portas de seu ministério e receber mulheres e desenvolver políticas públicas voltadas ao combate da violência contra a mulher. Ela demonstra ter comprometimento com a questão. Inclusive, notei que a postura de Damares mudou muito desde que assumiu a pasta, ela compreendeu a gravidade do problema e a necessidade de colocar a cara a tapa para enfrentá-lo”, disse.
[jp-related-posts ids=”1059225,1059242,1058988″]
Apesar de reconhecer que há esforço político para auxiliar vítimas da violência, a promotora afirmou que ainda existem diversas dificuldades que impedem o amparo a estas mulheres. “Diversas vítimas demoram a denunciar porque não percebem que estão em risco enquanto sofrem violência doméstica. Muitas vezes, elas sequer entendem que são vítimas da violência. Demoram para procurar ajuda e, quando o fazem, já estão expostas a situações de extremo risco. Nenhuma mulher é assassinada de um dia para o outro. Existe uma escalada de violência que começa com a intimidação, com o controle excessivo do homem sobre a mulher, que evolui para lesões corporais, cárcere privado e, até mesmo, para o feminicídio. Desde os pequenos sinais de violência, as mulheres precisam entender o risco que correm e denunciar. Não se pode subestimar a violência doméstica”.
Para Manssur, existem algumas estratégias fundamentais para superar a violência contra a mulher na sociedade, como fomentar a conscientização da população sobre a gravidade do problema através da educação escolar e da publicidade, ampliar o acesso à informação sobre as maneiras de efetuar uma denúncia e exigir do governo investimento em políticas públicas voltadas ao empoderamento econômico das mulheres. “Grande parte destas vítimas não abandonam a situação de violência porque dependem economicamente de seus parceiros. Por exemplo, muitas nem trabalham devido à falta de acesso ao mercado de trabalho, à falta de oportunidades ou por conta do machismo estrutural, que ainda vê as mulheres como seres humanos destinados à cuidarem apenas do lar e dos filhos”, concluiu.
Confira a entrevista com a promotora Gabriela Manssur:
Assuntos
continue lendo
Brasil
SP confirma casos de Febre do Nilo pela 1ª vez na história do Estado
Em Santa Catarina, uma mulher de 77 anos morreu na cidade de Imbituba devido à doença
- Discord recorre contra suspensão de lives determinada pela ANPD Estadão Conteúdo · há 12 horas
- Anvisa cancela registro do Elevidys, medicamento de R$ 20 milhões e um dos mais caros do mundo Estadão Conteúdo · há 14 horas
- Sorvetes Häagen-Dazs deixam de ser comercializados no Brasil depois de 29 anos Estadão Conteúdo · há 14 horas
- Frio perde intensidade no Sul e seca persiste no centro do país; veja previsão Agência Brasil · há 17 horas