Contas de luz e água mais caras em junho? Veja como solicitar revisão

A Sabesp destacou que houve aumento da demanda por água na pandemia; já a Enel disse que clientes tiveram a conta faturada pela média do consumo dos últimos 12 meses ou por meio da autoleitura

  • Por Camila Corsini
  • 04/07/2020 07h00 - Atualizado em 04/07/2020 15h39
PixabayEmpresas solicitaram que usuários entrem em contato individualmente para identificar possíveis problemas

Nos últimos dias, relatos de aumentos exorbitantes nas contas de água e luz em São Paulo, fornecidas pela Sabesp e Eneel, respectivamente, movimentaram as redes sociais. No Twitter, usuários reclamaram de valores até 400% mais altos em relação ao mês anterior.

A analista de conteúdo Ludmilla Florencio viu as duas contas aumentarem bastante na última medição. De acordo com ela, a conta de luz referente ao mês de junho teve uma alta de 73,74% — de R$ 120, ela foi para cerca de R$ 210. Já a de água teve aumento bem acima do esperado: de R$ 60, o valor subiu para R$ 324,58 — aumento de 432%. “Moro em um apartamento de 32m² com três pessoas, esses valores são absurdos para o nosso consumo”, disse.

Em nota, a Sabesp esclareceu que os casos de aumento de consumo precisam ser verificados pontualmente pelas equipes técnicas da Companhia, pois os motivos podem ser variados, incluindo a existência de vazamento interno no imóvel. A empresa também destacou que, por causa da intensificação das práticas de higiene nesta fase de isolamento social, houve aumento da demanda por água na faixa dos clientes residenciais atendidos pela Companhia.

A Enel, por sua vez, disse que, desde o final de março, muitos clientes tiveram a conta de energia faturada pela média do consumo dos últimos 12 meses ou por meio da autoleitura, medidas autorizadas pela Aneel em função do avanço da Covid-19 e para contribuir com o isolamento social. Em junho, a leitura presencial foi retomada gradativamente e, em julho, deve ser totalmente normalizada. A diferença, a mais ou a menos, entre o valor da conta faturada pela média e o real consumo de energia no período será compensada automaticamente.

Ludmilla entrou em contato com ambas operadoras, mas conseguiu retorno apenas com a Sabesp. “Eles resolveram meu caso prontamente, sem muito problema. Foi bem rápido, na verdade. Já na Enel, não consegui nem ser atendida. Eles passam o número de protocolo, mas nenhum operador responde. Então, já movi uma ação no Procon e recebi a resposta de que eles têm que entrar em contato comigo. Estou esperando.”

O que pode ser feito?

A Sabesp destacou que é importante que os consumidores sempre entrem em contato com a central de atendimento para resolver e solucionar qualquer dúvida ou questionamento e colocou à disposição os telefones 195 e 0800 055 0195 (ligações gratuitas) e a Agência Virtual no site. Os clientes também podem utilizar o aplicativo da Sabesp para smartphones com sistemas operacionais Android e iOS.

Já a Enel forneceu os números de telefone 0800 72 72 120 e WhatsApp 21 99601-9608, além da Agência Virtual e dos aplicativos Android e iOS, para possíveis revisões. Caso os clientes desejam, eles podem parcelar os débitos em até dez vezes e as parcelas serão cobradas nas próprias faturas de energia ou em até 12 vezes no cartão de crédito. Para realizar a negociação, os clientes podem acessar o Portal de Negociação ou os aplicativos.

Enel notificada pelo Procon

Após relatos de consumidores, a distribuidora de energia elétrica Enel foi notificada pelo Procon-SP e deverá prestar esclarecimentos, em até 48 horas (a partir do dia 1º de julho), sobre cobranças dos meses de março, abril e maio — que foram baseadas na média dos doze meses anteriores. Segundo o órgão de defesa do consumidor, só no mês de junho foram registradas contra a empresa 12.648 reclamações de cobrança abusiva.

Em nota enviada à Jovem Pan, a Enel afirmou que recebeu a notificação do Procon-SP e prestará todas as informações necessárias, ressaltando que mudou a forma de medição da energia para “preservar a saúde e a segurança dos leituristas e dos clientes em meio ao avanço da pandemia”. “No início de março, a empresa optou por reduzir o número de leituristas das ruas, contribuindo com o isolamento social, devido à pandemia da Covid-19. Como a maioria dos medidores dos clientes fica dentro dos imóveis, a medida foi adotada para evitar o contato entre o profissional da empresa e os clientes”, informou a empresa, acrescentando que a medida foi autorizada pela Aneel.