Coronel reformado da PM vê treinamento militar em ações do novo cangaço: ‘Fala-se até em mercenários’

Para José Vicente, quadrilhas especializadas em roubos a bancos cinematográficos não fazem parte do núcleo principal de facções como o PCC, apesar de se associarem a elas em algumas ocasiões

  • Por Jovem Pan
  • 31/10/2021 13h47
Reprodução/Jovem PanO coronel reformado José Vicente deu entrevista ao Headline News

Para o coronel reformado da Polícia Militar de São Paulo José Vicente, as quadrilhas especializadas na modalidade de crime novo cangaço não fazem parte do núcleo principal de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Em entrevista à edição deste domingo, 31, do Headline News, da Jovem Pan, Vicente disse acreditar que criminosos como os que agiriam em Varginha, no interior mineiro, preparam-se especificamente para este tipo de assalto têm treinamento militar. “Nós vimos tambores de combustíveis para incendiar prédios e veículos, dificultar a ação da polícia. Se não houvesse um competente trabalho da polícia, a cidade [de Varginha], com guarnições [de polícia] limitadas, iria ficar exposta a uma tremenda violência. Eles montaram um aparato de guerra, não estavam para brincadeira. Naturalmente, devem ter um tipo de assessoria de um pessoal vinculado às Forças Armadas. Falam-se até, com um certo exagero, que mercenários de outros países estariam por trás disso. Esses grupos não fazem parte principal das grandes facções brasileiras, que lucram muito mais com baixo risco, através do tráfico, contrabando e jogo clandestino”, disse o coronel.

“Os grupos podem até se vincular a algumas facções para obtenção de aluguéis de armas, busca de parceiros com conhecimento de armamento etc. Usa-se muito o ambiente de facções para buscar informações e recursos. Mas eles não fazem parte [do núcleo] principal das facções. As facções sabem que existem iniciativas próprias [do novo cangaço] e oferecem apoio em troca de remuneração”, acrescentou o coronel, que destaca o trabalho de inteligência da polícia. “O trabalho de inteligência tem exatamente essa função: descobrir o que vai acontecer e, a partir daí, estruturar uma reação mais potente, mais organizada, capaz de neutralizar a ação dos criminosos.”

Vicente destaca que, agora que a quadrilha foi desmantelada, a polícia precisa se concentrar na obtenção de informações para, cada vez mais, conseguir prever esse tipo de crime. “A partir de agora, entra o trabalho de investigação. Polícia Civil tem um papel extremamente importante. Delegacia não é para registrar furto de bicicleta. Ela tem que ser extremamente organizada para alcançar os criminosos mais perigosos. Casos como esse permitem obter uma série de informações, como DNA, pessoas ligadas aos criminosos. O sistema de inteligência sempre busca as relações. Foi dado um recado importante: ‘Se vocês se armarem, estarão sujeitos a um encontro com os policiais, que darão uma resposta à altura’.”