Corregedoria considera legal ação da PM em Paraisópolis, mas investigação continua

Nove jovens morreram pisoteados e 12 pessoas ficaram feridas após uma ação no baile da DZ7

  • Por Leonardo Martins
  • 07/02/2020 18h00 - Atualizado em 08/02/2020 11h12
Estadão ConteúdoVídeos gravados por moradores e divulgados à imprensa mostram PMs encurralando dezenas de pessoas em vielas e batendo com cassetetes

A Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo considerou, nesta sexta-feira (7), legal a atuação dos policiais militares durante um baile funk em Paraisópolis em dezembro de 2019.

No momento da dispersão da festa, segundo participantes e moradores da comunidade, policiais encurralaram jovens em uma viela da rua Ernest Renan. Nove jovens morreram e 12 ficaram feridos.

Uma semana após o caso, o governador João Doria (PSDB) ordenou o afastamento dos 31 policiais envolvidos na ação.

A Corregedoria sugeriu o arquivamento do caso ao Tribunal da Justiça Militar, mas o juiz responsável ainda vai decidir pelo encerramento ou pela sequência das investigações.

O departamento de homicídios da Polícia Civil segue investigando o caso. De acordo com a apuração da Jovem Pan, a defesa dos policiais militares, a partir de agora, vai voltar forças para pedir arquivamento do inquérito que corre na Polícia Civil.

Segundo o portal UOL, a interpretação da Corregedoria, até o momento, é de “legítima defesa” por parte dos policiais. Os PMs apontam que foram recebidos com garrafadas e pedras por frequentadores do baile.

Relembre

Em 1º de dezembro, nove jovens morreram pisoteados e 12 pessoas ficaram feridas após uma ação policial no baile da DZ7.

No dia 10, o governador João Doria afastou os 31 policiais que participaram da operação. Vídeos gravados por moradores e divulgados à imprensa mostram PMs encurralando dezenas de pessoas em vielas e batendo com cassetetes.

Segundo a Polícia Militar, agentes se dirigiram ao local do baile atrás de dois fugitivos que estavam em uma motocicleta e que teriam atirado contra a polícia e causado correria na multidão. Moradores da comunidade, no entanto, negam essa versão e dizem que a operação parecia premeditada e que seria uma vingança contra a morte de um policial ocorrida no mesmo local, um mês antes.