Cunha não comenta detalhes da denúncia e diz que continua na presidência da Câmara
Denunciado nesta quinta no Supremo Tribunal Federal por corrupção e lavagem de dinheiro, o presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) garantiu na manhã desta sexta-feira (21) que não deixará o cargo.
“Eu tenho o mandato pelo qual eu fui eleito e vou contnuar exercendo até o último dia”, disse Cunha após encontro no sindicato dos metalúrgicos do estado de São Paulo. “Eu vou continuar me comportando do mesmo jeito”, garantiu Cunha.
Durante o evento promovido pela Força Sindical, Cunha afirmou que a renúncia não faz parte do vocabulário dele “e não fará”. “Ninguém pode ser previamente condenado. Estou absolutamente sereno. Nada alterará o meu comportamento. Não adianta nenhuma especulação sobre o que vou fazer ou deixar de fazer. Não vou abrir mão de nenhum direito. Não há a menor possibilidade de eu não continuar no comando da Câmara”, disse o peemedebista.
Assim como na nota divulgada em redes sociais na noite desta quinta, o deputado preferiu não comentar detalhes da denúncia encaminhada pelo procurador-geral Rodrigo Janot. “Eu já falei o que tinha que falar em nota, agora fala o meu advogado”.
Ele e Renan
Mesmo negando a comparação, Cunha comparou sua situação à de Renan Calheiros, que tem denúncia tramitando no Supremo há dois anos. “Nem por isso estão dizendo ou cobrando que ele não tinha condições ou não tem condições” (de presidir o Senado), disse.
A denúncia foi apresentada em 2013 e acusava Renan de apresentar notas frias para comprovar renda para pagar pensão a filha fora do casamento que o presidente do Senado teve com a jornalista Mônica Veloso.
Cunha é acusado de ter recebido US$ 5 milhões de propina para facilitar contratos de navios-base da Petrobras com determinadas empresas, como a Samsung.
Cunha reafirmou também sua oposição à aliança entre o PMDB e o PT. “Defendo que o PMDB saia dessa aliança (…). Eu só posso dizer que sou contra e vou pregar o fim dela”, disse, referindo-se ao congresso do PMDB marcado para daqui a dois meses.
Falas de entrevista coletada pelo repórter Jovem Pan Tiago Muniz
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