Defesa de auditor envolvido em esquema da Lava Jato diz que prisão tem ‘viés político’

Marco Aurélio Canal foi pivô de uma polêmica envolvendo o ministro Gilmar Mendes

  • Por Jovem Pan
  • 02/10/2019 21h04 - Atualizado em 02/10/2019 21h14
José Lucena/Estadão ConteúdoEle foi preso nesta quarta-feira, em Nova Iguaçu, durante a Operação Armadeira,

A defesa do auditor fiscal da Receita Federal Marco Aurélio Canal classificou a prisão de seu cliente como “ilegal”, “de viés exclusivamente político” e “pautada em supostas informações obtidas através de ouvi dizer”.

Canal, que era o supervisor de programações da Lava Jato, foi acusado como um dos principais articuladores de um esquema de extorsões dentro da própria Receita Federal. Ele era bem visto entre seus pares e inclusive ministrava palestras envolvendo sua atuação junto à operação e o enfrentamento da corrupção.

Ele foi preso nesta quarta-feira (2), em Nova Iguaçu (Baixada Fluminense), durante a Operação Armadeira, realizada pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal e a Receita para prender 14 pessoas. O auditor é acusado de cobrar propinas de réus e delatores em troca da suspensão de multas do Fisco.

O advogado Fernando Martins, responsável pela defesa de Canal, declarou, por meio de nota, “que se trata de mais uma prisão ilegal praticada no âmbito da denominada operação Lava Jato, eis que de viés exclusivamente político, atribuindo a Marco Canal responsabilidades e condutas estranhas à sua atribuição funcional e pautada exclusivamente em supostas informações obtidas através de ouvi dizer de delatores”.

Pivô de polêmica com Gilmar Mendes

De acordo com a procuradora do MPF no Rio Marisa Ferrari, Canal cobrou R$ 4 milhões para encerrar investigações da Federação de Empresas de Transporte de Passageiros do Rio de Janeiro (Fetransport) e foram encontrados recursos em espécie em alguns lugares investigados, sendo R$ 200 mil apenas na casa dele, dentro de livros.

O auditor foi pivô de uma polêmica envolvendo o ministro do Superior Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, que o acusou de ser o coordenador de uma operação que acessou dados da Receita Federal dele e da sua mulher.

O Ministério Público Federal no Rio pediu ao juiz Marcelo Bretas que bloqueasse R$ 13,8 milhões das contas do servidor.

Sindifisco quer apuração minuciosa

O Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil, o Sindifisco, emitiu nota nesta tarde cobrando a apuração minuciosa contra servidores  do órgão acusados de participar do esquema. “O episódio reforça o compromisso da Receita Federal com o combate à corrupção, inclusive dentro de suas próprias paredes, e demonstra que os auditores-fiscais não hesitam em cortar na própria carne, se necessário, para preservar a integridade da instituição e o respeito à lei”, afirmou em nota.