“Definindo logo seu plano b, PT tem grande chance de ir ao 2° turno”, diz Maílson da Nóbrega

  • Por Jovem Pan
  • 09/04/2018 17h42
Reprodução"Com a fragmentação do centro, os candidatos de extremo acabam passando para o segundo turno", afirmou o ex-ministro da Fazenda

Ex-ministro da Fazenda no Governo José Sarney, Maílson da Nóbrega fez uma análise sobre as expectativas do mercado em relação ao atual cenário político brasileiro. Para ele, as eleições de 2018 ainda contém um elevado elemento de risco, principalmente por toda a incerteza que envolve os possíveis nomes dos candidatos ao posto de Presidente da República.

“Isso está confundindo os mercados, porque, com a prisão do presidente Lula, a hipótese mais provável, eu diria quase definitiva, é que ele está fora do jogo. E se ele está fora do jogo, isso pode gerar um ambiente em que outras áreas, outras candidaturas à esquerda e mesmo do centro, se sentirão animadas e estimuladas a concorrer. Isso pode gerar uma fragmentação maior, tanto na esquerda quando na centro-direita, gerando uma dúvida de como vai ser o segundo turno”, afirmou Maílson, em entrevista para a Jovem Pan.

Para ele, a falta de coordenação nos partidos de centro e a multiplicidade de candidaturas podem levar a um resultado já visto em outras oportunidades no Brasil, como na eleição para Presidente de 1989 e na eleição para a Prefeitura do Rio de Janeiro em 2016: com a fragmentação do centro, os candidatos de extremo acabam passando para o segundo turno.

“Neste caso, nós teríamos um segundo turno entre Bolsonaro, que é da direita extremada, digamos assim, e alguém do PT. Algumas correntes já estão prevendo que pode ser o segundo turno não com um candidato do PT, e sim com o Ciro Gomes. Eu diria que é muito cedo para um prognóstico mais definitivo, mas, na minha avaliação, é muito alta a probabilidade de o candidato do PT ir para o segundo turno, sobretudo se o partido definir o mais rapidamente um possível o ‘plano b’. É preciso que o PT esteja convencido de que o presidente Lula não pode concorrer por conta da lei da ‘Ficha Limpa’, e quanto mais cedo ele anunciar o seu substituto na chapa, maior a capacidade desse nome se tornar conhecido nacionalmente, maior a capacidade de o presidente Lula, mesmo preso, contribuir para uma transferência de votos dele para o indicado”, afirmou.

O ex-ministro ainda falou sobre a possibilidade de mudança no cenário no caso de a votação do Supremo Tribunal Federal da próxima quarta-feira (11) decidir contra a prisão em segunda instância, o que recolocaria o ex-presidente Lula em liberdade. Para ele, a ministra Rosa Weber pode surpreender e votar a favor da manutenção da jurisprudência, o que deixaria o cenário político na situação em que se encontra.

“Nesse caso, o Lula continuaria preso. Portanto, o que a gente está vendo no mercado são sinais de todos os lados, uma dispersão muito grande de análises. Têm pessoas dizendo que o Bolsonaro ganhou com a prisão do Lula, tem gente dizendo que foi o Ciro. Tem gente dizendo isso, tem gente dizendo aquilo. Isso está confundindo muito o ambiente, tornando muito difícil enxergar nesse nevoeiro de opiniões divergentes qual é o cenário em que se pode apostar”, salientou o ex-ministro.

Por fim, ele ainda avaliou que a incerteza do cenário presidencial no País não pode ser apontado como um dos principais entraves para o crescimento dos investimentos, e que a “capacidade ociosa das empresas” ainda é grande, o que inviabiliza os planos de investimento.

“Está travado em muitas situações. Em primeiro lugar, porque existe uma zona de incerteza: quem vai ser o próximo Presidente da República? Nós temos desde candidatos que levariam o País a um novo desastre econômico até candidatos que podem levar o País a um novo ciclo de reformas e crescimento. Portanto, enquanto o cenário político não estiver claro, muitas empresas vão querer adiar os investimentos. Segundo lugar porque ainda é grande a capacidade ociosa em parte da indústria. Enquanto essa capacidade ociosa não é preenchida, as empresas não têm que fazer novos investimentos. Eu ainda acho que, mesmo que a estimativa da tendência seja de 2,8%, não será surpresa se chegar a 3%. O que vai definir o ciclo de investimento é a dissipação das incertezas com relação ao processo eleitoral e o preenchimento da capacidade ociosa”, finalizou Maílson.