Justiça fecha acordo de delação premiada e Dario Messer terá que devolver R$ 1 bi

Réu de processos da Lava Jato no Rio por esquemas nacionais e transnacionais de lavagem de dinheiro, o ‘doleiro dos doleiros’ está em prisão domiciliar, concedida devido à pandemia

  • Por Jovem Pan
  • 12/08/2020 21h02 - Atualizado em 13/08/2020 08h24
Reprodução/FacebookEle teve mandado de prisão decretado em maio de 2018, na Operação "Câmbio, Desligo"

A Justiça do Rio de Janeiro homologou nesta quarta-feira, 12, um acordo de delação premiada com o “doleiro dos doleiros” Dario Messer, réu de processos da Operação Lava Jato no Rio por esquemas nacionais e transnacionais de lavagem de dinheiro e outros crimes. Ele precisará renunciar aos cofres públicos mais de 99% do seu patrimônio, estimado em cerca de R$ 1 bilhão. Os bens incluem imóveis de alto padrão e valores no Brasil e no exterior, além de obras de arte e um patrimônio no Paraguai ligado a atividades agropecuárias e imobiliárias, que deverão fundamentar um pedido de cooperação com as autoridades do país vizinho para sua partilha.

O acordo foi feito por iniciativa do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF). Na avaliação da Força-tarefa da Lava Jato, a delação permitirá a coleta de provas para investigações em andamento, tendo já fornecido depoimentos juntados aos autos de processos decorrentes de três investigações sobre esquemas que teve o colaborador como figura-chave: “Câmbio, desligo”, sobre lavagem de dinheiro a partir do Uruguai e que movimentou mais de US$ 1,6 bilhão; “Marakata”, sobre transações de dólar-cabo para lavar dinheiro em contrabando de esmeraldas; e “Patrón”, sobre o braço no Paraguai da organização transnacional de lavagem de dinheiro liderada por Messer.

Em abril, Dario Messer teve concedido pelo Superior Tribunal de Justiça o direito a prisão domiciliar. A decisão, feita pelo juiz Reynaldo Soares da Fonseca, considerou que Messer, de 61 anos, hipertenso e fumante, pertence ao grupo de risco para a Covid-19. Em março, ele passou por procedimento que removeu lesões compatíveis com melanoma. O doleiro está detido em casa com tornozeleira eletrônica. Ele teve mandado de prisão decretado em maio de 2018, na Operação “Câmbio, Desligo”. Foragido, ele foi capturado em julho de 2019.

* Com informações do Estadão Conteúdo