Dallagnol: ‘Algumas leis aprovadas no Congresso foram essenciais para que a Lava Jato existisse’

Operação completa seis anos de existência nesta terça-feira

  • Por Camila Corsini e Carolina Fortes
  • 17/03/2020 15h41 - Atualizado em 17/03/2020 16h45
Fernando Frazão/Agência Brasil Procurador do Ministério Público Federal e coordenador da força tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol

Embora identifique hoje um “ambiente mais difícil” no combate à corrupção no Brasil devido a medidas tomadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pelo Congresso Nacional, o coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, procurador Deltan Dallagnol, acredita que o trabalho da operação é também fruto da atuação dessas instituições.

“Uma série de leis aprovadas no Congresso foram essenciais para que a Lava Jato existisse. Algumas dessas leis foram, inclusive, fruto de manifestações de rua em junho de 2013”, disse em entrevista ao JP Descomplica, podcast da Jovem Pan. Nesta terça-feira (17), a Lava Jato completa seis anos de existência.

“O que a gente constata é que, de um ano pra cá mais ou menos, desde 2019, aconteceram uma série de retrocessos no combate à corrupção a partir de decisões sofridas pelo Supremo e de atos legislativos. Quando olhamos para essas decisões e atos, não estamos julgando intenções, não estou dizendo que querem promover a corrupção ou algo nesse sentido. O que eu estou fazendo é avaliar objetivamente as decisões e atos e o impacto que tem sobre as investigações e processos”, completou.

Entre as decisões que Deltan citou estão a do ministro Dias Toffoli que suspendeu as comunicações do Coaf; a lei de abuso de autoridade; e a regra em que os réus delatados falam por último, depois dos réus delatores. Ele destacou também o pacote anticrime do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

“Originalmente, quando foi encaminhado, era um projeto muito bom no tocante à causa anticorrupção, disse. “Na tramitação, no Congresso, as regras anticorrupção foram quase todas tiradas e acabou que foram inseridas ainda regras que prejudicam o combate à corrupção, que dificultam a prisão preventiva e que miram as colaborações premiadas.”

De acordo com Deltan, a situação pode mudar com ajuda da população, nas urnas. “Não adianta escolhermos o político pegando santinho na rua, ele estará lá e mandará na sua vida durante os próximos 4 anos.”

“A gente precisa escolher pessoas íntegras, comprometidas com reformas anticorrupção, pessoas com preparação política. Isso demanda tempo, independente do viés político e da ideologia. Precisamos não só exercer a cidadania, mas influenciar as pessoas ao nosso redor de fazer o mesmo”, concluiu.