Zambelli: Bolsonaro exonerou Valeixo por postura ‘desarmamentista’ de Moro

Como a PF é responsável pela emissão de registros e porte de armas, deputada acha que o presidente ‘não confiaria’ no delegado

  • Por Jovem Pan
  • 13/05/2020 20h57 - Atualizado em 14/05/2020 07h26
Pablo Valadares/Câmara dos DeputadosZambelli prestou depoimento à PF no âmbito do inquérito sobre suposta tentativa de interferência de Bolsonaro na PF

Em depoimento à Polícia Federal nesta quarta-feira (13), a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) afirmou acreditar que o presidente Jair Bolsonaro exonerou o ex-diretor-geral da corporação Maurício Valeixo do cargo por divergências com o fato do ex-ministro Sergio Moro ser “desarmamentista”.

Segundo o portal G1, Moro e Bolsonaro se desentenderam sobre esta questão e, como a PF é responsável pela emissão de registros e porte de armas, Zambelli acha que o presidente “não confiaria” no delegado Valeixo — indicado por Moro e pivô da sua demissão em abril.

De acordo com a parlamentar, isso não foi dito diretamente por Bolsonaro e ele não apresentou nenhuma manifestação de desconfiança sobre Valeixo. O depoimento indica que Zambelli enviou uma mensagem a Moro no dia 17 de abril — uma semana antes da troca na direção da PF — sobre o assunto do desarmamento, mas o conteúdo não foi descrito no documento.

A deputada também foi questionada sobre a mensagem divulgada por Moro ao Jornal Nacional em que ele alega que Zambelli lhe ofereceu um cargo no Supremo Tribunal Federal (STF). Sobre isso, ela disse que “como ativista, chegou a trabalhar junto ao então presidente [Michel] Temer na indicação de Ives Gandra Martins Filho à vaga do STF do Ministro Teori [Zavaski]”.

E que, por isso, achava que poderia “trabalhar junto ao presidente Jair Bolsonaro” para que Sergio Moro fosse o substituto do ministro Celso de Mello. O decano do STF se aposenta por idade no fim deste ano.

Além disso, afirmou que este assunto não foi tratado com o presidente ou outros interlocutores do governo.

Zambelli prestou depoimento à PF no âmbito do inquérito sobre suposta tentativa de interferência do presidente Jair Bolsonaro na corporação. As oitivas marcam o terceiro dia de depoimentos na investigação sobre as acusações feitas pelo ex-ministro Moro ao deixar o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública.

Também falaram hoje os delegados Carlos Henrique Oliveira de Sousa e Alexandre da Silva Saraiva.

Entenda

Moro acusou Bolsonaro de trocar o comando da PF para obter informações e relatórios sigilosos de investigações. O Planalto se preocupa com o andamento de inquéritos que apuram esquemas de divulgação de “fake news” e financiamento de atos antidemocráticos realizados em abril, em Brasília.