Desembargadora mantém prisão preventiva de Crivella após audiência de custódia

Prefeito do Rio será encaminhado para Benfica e, após uma triagem, direcionado para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu; ele foi preso na manhã desta terça-feira, 22

  • Por Jovem Pan
  • 22/12/2020 19h18 - Atualizado em 22/12/2020 21h50
WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDOPara o Ministério Público, o prefeito Marcelo Crivella era o chefe da organização criminosa

Após audiência de custódia, a desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita decidiu nesta terça-feira, 22, que o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), deve continuar preso preventivamente, assim como O empresário Rafael Alves, o delegado Fernando Moraes, e o ex-tesoureiro Mauro Macedo, que também foram detidos por envolvimento no caso. Na noite de hoje, Crivella chegou em Benfica, porta de entrada do sistema penitenciário do Rio, e depois a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) decidirá para qual unidade ele e os demais presos serão levados, considerando quem tem nível superior – o prefeito é engenheiro. A investigação aponta que o grupo aliciava empresários para participar do esquema de corrupção voltados para arrecadação de vantagens indevidas mediante promessas de contrapartida feitas pelo prefeito. De acordo com o MP, o esquema arrecadou cerca de R$ 50 milhões em propina. A ação desta terça é um desdobramento da operação Hades. Além das prisões, foram emitidos mandados de busca e apreensão e uma determinação judicial de sequestro de bens e valores. No total, 26 pessoas foram denunciadas. Para o Ministério Público, o prefeito Marcelo Crivella era o chefe da organização criminosa.

A audiência não teve a participação de público por causa da pandemia de Covid-19. Puderam participar apenas os advogados dos envolvidos na audiência, que começou por volta das 16h. A mesma desembargadora, Rosa Helena Guita, determinou, mais cedo, o afastamento de Crivella de todas as suas funções públicas. “[…] mesmo no cárcere, poderá o Sr. Prefeito continuar despachando e liberando os últimos pagamentos ilícitos aos seus comparsas, terminando, por assim dizer, de limpar os cofres públicos. Observe-se que todos os crimes a ele imputados na presente ação penal foram cometidos no exercício do cargo para o qual foi democraticamente eleito, no mais absoluto desvio de finalidade”, escreveu no despacho. O presidente da Câmara dos Vereadores, Jorge Felippe (DEM) irá assumir o comando do Rio de Janeiro pelos próximos nove dias, até a posse do prefeito eleito Eduardo Paes (DEM) em 1º de janeiro. O vice de Crivella, Fernando Mac Dowell (PL), morreu em maio de 2018 devido complicações após sofrer um infarto.

QG da propina

Segundo fonte da Jovem Pan, Crivella afirmou que quer justiça e que sua prisão é uma grande injustiça. Ele declarou também que, ao longo de seu mandato, foi o governante que mais combateu desvios e irregularidades na esfera municipal. A ação conjunta é um desdobramento Operação Hades, que investiga um suposto ‘QG da Propina’ na prefeitura da capital fluminense. Na época, agentes da Polícia e do Ministério Público estiveram na casa de Crivella cumprindo mandados de busca e apreensão. Segundo investigações, que tiveram como origem a delação do doleiro Sérgio Mizrahy, preso pela Lava Jato na operação Câmbio, Desligo, havia um esquema de propina na esfera municipal, o que originou a expressão “QG da propina”. A suspeita é que contratos fechados pela Prefeitura do Rio de Janeiro com prestadores de serviço continham uma espécie de “pedágio”, taxa de propina revertida para a esfera municipal e utilizada para bancar financiamento de campanha e pessoas físicas. Segundo a investigação, o núcleo do esquema seria a Riotur, empresa de turismo do Rio de Janeiro.

Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu na tarde desta terça-feira, 22, dois pedidos de habeas corpus em favor do prefeito do Rio. Segundo o STJ, um dos pedidos foi protocolado pela equipe de defesa do político que é formada pelos advogados Ticiano Figueiredo, Pedro Ivo Velloso e Alberto Sampaio Júnior, da ‘Figueiredo e Velloso Advogados Associados’. A outra representação parte do advogado Paulo Roberto Cavalcante de Sá, de Pernambuco. Em contato com a Jovem Pan, o STJ disse não saber se Paulo faz parte da equipe de advogados de Crivella, já que qualquer pessoa pode entrar com um pedido de habeas corpus. A reportagem não conseguiu contato com a defesa do prefeito.