Em provocação a Bolsonaro, Dallagnol, Moro e Guedes, Lula diz: ‘Eu estou de volta’

  • Por Jovem Pan
  • 09/11/2019 14h16 - Atualizado em 11/11/2019 09h38
NACHO DOCE/REUTERSEx-presidente discursou durante 45 minutos no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

O ex-presidente Lula provocou, neste sábado (9), os membros do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL). Em discurso na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, ele disse que “duvida” que Bolsonaro, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o procurador e coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, durmam “com as consciência tranquila”.

“Fiquei 580 dias sem ter com quem falar, agora eu quero falar. Me dei conta que deveríamos enfrentar a situação. Eu disse que eles iam prender um homem, mas as ideias que construímos continuamente não poderiam ser presas, iriam continuar pairando pelo mundo inteiro. Agora cá estou eu: livre como um passarinho. Durmo com a consciência tranquila de um homem justo e honesto”, disse.

“Eu duvido que o Moro durma com a consciência tranquila que eu durmo. Que o tal do Dallagnol durma com a consciência tranquila que eu durmo. Aliás, eu duvido que o Bolsonaro durma com a consciência tranquila que eu durmo. Eu duvido que o ministro demolidor de sonhos, destruidor de empregos, chamado Guedes, durma com a consciência tranquila que eu durmo. E eu quero dizer para eles: eu estou de volta”, continuou, arrancando aplausos de seus apoiadores.

O petista ressaltou, ainda, que poderia “ter ido a uma embaixada” ou “a outro país” para não ser preso, mas que tomou a decisão de se apresentar à Polícia Federal (PF) para “provar que o juiz Moro não era juiz, era um canalha”. “Eu precisava provar que o Dallagnol não representa o Ministério Público, que é uma instituição séria. O Dallagnol montou uma quadrilha com a força-tarefa da Lava Jato”, atacou.

“O Bolsonaro chegou a confessar que ele devia as eleições ao Moro. Na verdade, ele deve ao Moro, ele deve aos juízes que os julgaram e à campanha de fake news que fizeram contra o companheiro Fernando Haddad e à esquerda deste país”, prosseguiu.

“O meu sonho não é resolver meus problemas. Minha vida tá toda bloqueada, mas eu tô com muito mais coragem do que já tive. Quero lutar pra realizar o sonho do povo brasileiro. Que é ter um emprego, ter renda, poder estudar, fazer um churrasquinho e tomar uma cachacinha no fim de semana”, prosseguiu, ressaltando que está disposto a “percorrer o país” para não deixá-lo ser “destruído”.

Críticas ao governo Bolsonaro

Lula não poupou críticas à atual gestão. Sobre Bolsonaro, o petista disse que ele “nunca fez um discurso que prestasse”, apenas ofendendo “mulheres, negros, LGBTs” e as pessoas mais frágeis, além de lembrar que o atual presidente se “aposentou cedo” e “nunca trabalhou”. “Eu quero saber porque que esse cidadão (Bolsonaro), que se aposentou muito jovem, resolveu acabar com a aposentadoria do povo brasileiro”, questionou.

Além das críticas à reforma da Previdência e às privatizações e concessões em curso, como as da Petrobras, o petista afirmou que não pode, “aos 74 anos de idade, ver essa gente destruindo o país que nós construímos”.

Ao lembrar os xingamentos à ex-presidente Dilma Rousseff (PT) na abertura da Copa do Mundo, em 2014, ele disse que Bolsonaro “é um palavrão”. “Fui criado para não dizer palavrão. Não vou dizer palavrão a Bolsonaro, ele é o próprio palavrão.”

O ex-presidente ainda acusou Bolsonaro de envolvimento com as milícias e pediu respostas para os casos do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL) e do assessor de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), Fabrício Queiroz. “O Bolsonaro tem que entender que foi eleito pra governar para o povo brasileiro e não para os milicianos do Rio de Janeiro. A gente tem que saber quem mandou matar a nossa guerreira Marielle”, disse.

Eleições 2022

Lula também convocou militantes, apoiadores, membros do PT e aliados do partido para uma “volta da esquerda” nas eleições de 2022. “Se a gente trabalhar direitinho, em 2022 a chamada esquerda que o Bolsonaro tanto tem medo vai derrotar a ultradireita nesse país”, declarou enquanto era aplaudido.

De acordo com ele, os brasileiros estão muito tranquilos e precisam “resistir” e “lutar” como o povo do Chile e da Bolívia. Ele pediu que os deputados “virem leões no Congresso”. “Eles não sabem o tesão que eu estou para lutar por esse país”, garantiu.