‘Dizer que a Lava Jato quebrou empresas é uma irresponsabilidade’, reage Deltan

Em entrevista, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, afirmou que a operação que já atingiu sua 69ª fase ‘destruiu empresas’

  • Por Jovem Pan
  • 16/12/2019 15h08 - Atualizado em 16/12/2019 15h09
ANDRÉ DUSEK/ESTADÃO CONTEÚDODeltan Dallagnol, procurador da força-tarefa da Operação Lava Jato

O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) no Paraná, disse nesta segunda-feira (16) que “é uma irresponsabilidade” do ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), declarar que a Lava Jato destruiu empresas.

“Dizer que a Lava Jato quebrou empresas é uma irresponsabilidade”, tuitou Deltan, em reação à entrevista de Toffoli publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo desta segunda.

“É, assim, fechar os olhos para a raiz do problema, a prática por muitos políticos e empresários de uma corrupção político-partidária sanguessuga, que drena a vida dos brasileiros”, disse Deltan.

Toffoli declarou que nos Estados Unidos isso não aconteceu. Empresários têm prisão perpétua decretada, mas suas companhias estão em atividade.

O ministro cobrou, ainda, maior transparência do Ministério Público. “É fechar os olhos para a crise econômica relacionada a fatores que incluem incompetência, má gestão e corrupção”, tuitou Deltan.

Para o procurador, as declarações de Toffoli têm o mesmo sentido que “culpar pelo homicídio o policial porque ele descobriu o corpo da vítima, negligenciando o criminoso.” “Os responsáveis são os criminosos. A Lava Jato aplicou a lei”, afirma o procurador.

O procurador destaca resultados da Lava Jato que, em quase seis anos de ação recuperou uma fortuna para o Tesouro. “É fechar os olhos para o fato de que a Lava Jato vem recuperando por meio dos acordos mais de R$ 14 bilhões para os cofres públicos, algo inédito na história.”

E avisou: “Seguiremos aplicando a lei, que ainda é muito inefetiva no Brasil. Nos Estados Unidos, a prisão acontece depois da primeira ou segunda instância. Sem efetividade da lei, não há rule of law ou estado de direito.”

*Com informações do Estadão Conteúdo