Dois homens baleados pela PM em Pernambuco têm ‘lesões permanentes’ nos olhos

Daniel Campelo da Silva, de 51 anos, e Jonas Correia de França, de 29 anos, não participavam de ato contra o presidente Jair Bolsonaro mas foram atingidos por balas de borracha

  • Por Jovem Pan
  • 30/05/2021 18h44
Foto: CHARLES JOHNSON/MYPHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Homem ferido em ato no Recife (PE) Governo do Estado do Pernambuco vai indenizar as vítimas

Dois homens atingidos por balas de borrachas disparadas pela Polícia Militar (PM) durante um protesto contra o presidente Jair Bolsonaro, no Recife, neste sábado, 29, tiveram “lesões permanentes” nos olhos e perderam parte da visão. De acordo com familiares das vítimas, Daniel Campelo da Silva, de 51 anos, e Jonas Correia de França, de 29 anos, não participavam da manifestação e foram ao Centro da cidade para trabalhar. A PM do Estado de Pernambuco também se envolveu em um ataque à vereadora Liana Cirne (PT), que participava do ato. Como a Jovem Pan mostrou, ela foi atingida por spray de pimenta – o comandante da operação e demais policiais foram afastados, por determinação do governador Paulo Câmara (PSB).

Em nota, o governo do Estado também afirmou que determinou que a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) acompanhe a assistência médica aos dois homens feridos. A Procuradoria-Geral do Estado e a SJDH vão abrir um processo de indenização às vítimas. “O Governo de Pernambuco determinou, hoje (30), que a SJDH-PE acompanhe a assistência médica aos dois homens feridos no rosto durante a manifestação do último sábado, no Centro do Recife. A Procuradoria Geral do Estado já foi acionada, junto com a SJDH, para iniciar o processo de indenização aos atingidos. Ainda no sábado, o governador afastou o comandante da operação e os policiais que agrediram a vereadora do Recife Liana Cirne. A Corregedoria-Geral da Secretaria de Defesa Social já iniciou a tomada de depoimentos sobre o ocorrido”, diz o texto.

As manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro aconteceram em pelo menos 21 capitais e outras cidades do interior do país. Os atos foram marcados por críticas à gestão do governo federal no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus, pedidos de impeachment e de uma maior velocidade na imunização dos brasileiros. Nas últimas 24 horas, o Brasil teve 874 mortes causadas pela Covid-19, totalizando 461.931 óbitos desde o início da crise sanitária. No mesmo período, de acordo com o boletim divulgado no início da noite deste domingo, 30, pelo Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass), o país registrou 43.520 novos casos (16.515.120 acumulados desde março do ano passado).