Eduardo Paes fala em ‘herança perversa’ de Crivella e já abre investigação contra ex-prefeito

Secretaria de Governo e Integridade Pública é criada para apurar casos como QG da Propina e guardiões do Crivella

  • Por Jovem Pan
  • 01/01/2021 19h26 - Atualizado em 02/01/2021 02h28
Luciano Belford/Agência EstadoEduardo Paes discursa durante sua posse como prefeito do Rio de Janeiro

Além das medidas fiscais, o novo prefeito do Rio, Eduardo Paes (DEM), disse nesta sexta-feira, 1º, que o foco da prefeitura será o combate à corrupção, que será comandado pela recém-criada Secretaria de Governo e Integridade Pública, sob o comando do novo secretário Marcelo Calero, advogado, ex-ministro da Cultura do governo Michel Temer e deputado do Cidadania. A nova secretaria substitui a antiga Casa Civil. Em decreto publicado no Diário Oficial do Município (DOM), foram criadas comissões de investigações preliminares para apurar questões que determinaram a abertura de processos judiciais, como o QG da Propina, no qual o ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) é acusado de ser o idealizador de um esquema para aliciar empresários a participar de estruturas de corrupção, e dos “guardiões do Crivella”, como ficaram conhecidos os servidores designados por ele para evitar que jornalistas tivessem acesso às reclamações da população nas portas dos hospitais públicos. Essas comissões terão prazo de 30 dias para entregar a Paes um relatório com o resultado das ações.

“Nunca na história da cidade do Rio de Janeiro um prefeito recebeu de seu antecessor uma herança tão perversa. Servidores esperando pagamentos que não vêm, 15 folhas de salários para o próximo ano e um desafio fiscal colossal que alcança a marca de R$ 10 bilhões. Esse é o cenário desastroso das finanças da Prefeitura, mas não desastroso o suficiente para nos abater”, falou Paes, durante a cerimônia de posse.

Também por decreto, a prefeitura do Rio criou grupos para investigar a gestão anterior, com auditorias previstas para as folhas de pagamento e as contratações diretas sem licitações realizadas por Crivella, atualmente em prisão domiciliar. O novo prefeito do Rio afirmou que pretende criar um novo arcabouço legal para evitar que futuros chefes do Executivo municipal cometam irregularidades, o que será feito, de acordo com ele, por meio de mudanças na governança e aumento de transparência dos atos públicos. “A transformação que a população carioca tanto anseia passa, necessariamente, por uma mudança radical nas práticas da administração pública, assim como na relação e no trato com a coisa pública”, afirmou.

*Com informações da Agência Estado